sexta-feira, 21 de junho de 2013

As movimentações sociais Brasil afora

Saudações Caríssimos!

Todos nós brasileiros estamos atentos aos movimentos que vem ocorrendo em todo país e em Natal não poderia ser diferente, como pode ser visto nas fotos abaixo, na movimentação desta última quinta-feira:





 Veja também a opinião do Prof Dr. em Sociologia da UFRN, Alípio de Sousa Filho sobre os acontecimentos:


“O Brasil não será nunca mais o que foi até aqui”

Publicação: 20 de Junho de 2013 às 00:00

Marcelo BarrosoAlípio de Souza: Os governantes devem orientar as forças policiais a atuarem sem violênciaAlípio de Souza: Os governantes devem orientar as forças policiais a atuarem sem violência


Alípio de Souza,
 sociólogo

Quais consequências podemos esperar dos atos que estão acontecendo em algumas cidades do país?


A consequência mais importante é que o Brasil não será nunca mais o que foi até aqui. Algo de novo debaixo do sol do Brasil está acontecendo. Pela primeira vez,  terá fim a mitologia verde-amarela do país de povo ordeiro, pacífico, alegre com tudo, amante de futebol, carnaval e que não se importa com política, com participação. As manifestações mostram um outro povo: se gosta de futebol, não se deixa mais alienar com ele, protesta contra o próprio uso do futebol quando isso implica em desvios de recursos públicos que poderiam ser aplicados em áreas carentes, políticas que são esperados há tanto tempo. Outro mito que cai é o de um povo não-violento. A pulsão violenta do movimento, e esta há e é autêntica em seus atos, mostra que se sabe também agir violentamente para expressar o ódio ao desprezo pelos mais pobres, às exclusões sociais.

O que esperar do ato de hoje em Natal?

Espera-se um grande ato, com muita participação. E espera-se que seja pacífico. A pulsão violenta e incontrolável do movimento é imprevisível.

Qual deve ser o posicionamento do Governo?

Os governantes devem, primeiro, orientar as forças policias a atuarem sem violência. Atuarem não para reprimir o movimento, mas para assegurar a manifestação. Segundo, já deveriam ter chamado reuniões de negociação com representantes do movimento e da sociedade para atendimento das reivindicações e discussões sobre os assuntos que estão sendo pautados. Fechados em seus gabinetes, os governantes, em todos os níveis, aumentam a ira dos manifestantes. Não sem razão, imagens nacionais mostram manifestantes agindo para entrar nos palácios do poder. Um ato que deveria ser interpretado como as pessoas dizendo: esse lugar é também nosso. Queremos que nos escutem. A mesma mensagem serve para os políticos e parlamentares: e é assombroso o silêncio destes. Não se pronunciam e não se colocaram, até aqui, como negociadores, intermediários, entre movimento e governantes.

Fonte:

Veja neste link http://twitcasting.tv/noarportal/movie/14397285 vídeos sobre a mobilização desta última quinta-feria 20 de junho de 2013.

Adsumus!

4 comentários:

  1. Não acredito que o povo brasileiro está mudando. Os brasileiros são iguais aos de muitos anos atrás, lembram dos caras pintadas? Pois bem, é fato que o povo brasileiro não gosta de política, (principalmente por não ter o direito de votar ou não, e sim uma obrigação) o que mudou na população é o jeito de expressar suas indignações com os descasos que estão ocorrendo Brasil a fora. Ao invés de ficarem em casa, nos bares, nas redes sociais só reclamando, eles se reúnem, para juntos cobrarem das autoridades o que acreditam está errado, sendo todos juntos uma voz mais alta e forte.
    O povo mostrou que gosta sim de futebol, no entanto, não se deixam levar, ser alienado por copa do mundo, principalmente quando seus direitos mais fundamentais são esquecidos, o direito a saúde, educação e segurança, por construções milionárias e luxuosos estádios de futebol, tudo isso graças ao dinheiro público, que tanto falta para os brasileiros.
    Ouvimos diariamente pessoas falarem que “o movimento é legitimo, contudo, sou contra os atos de violência”, ocorre que, a população mostrou que sabe lutar por um país melhor, muita vezes com violência. Não quero aqui incitar a violência, longe de mim, mas será que se os movimentos fossem sempre pacíficos teriam seu objetivo alcançado? Lógico que não, um pouco de desordem ajuda muito.
    O que preocupa em movimentos muito grandes, como os que estão acontecendo é o levantamento de bandeiras de partidos políticos, que no momento, são oposicionistas que se aproveitam da situação e de pessoas leigas que estão no movimento sem saber pelo que está lutando nem para onde vai.
    O que deve ser feito para amenizar a situação é atitude dos governantes abrirem as portas dos seus gabinetes, para os lideres dos manifestantes para juntos discutirem as pautas das reivindicações dos movimentos e buscar melhorias nas áreas de dificuldades.

    Igor Christensen
    Ass. Sociojuridica e Segurança Pública
    turma 2012.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Perfeito Caro Christensen!

      À luz da teoria durkheimiana, na verdade os fatos sociais que estamos acompanhando, atualmente, são exteriores, coercitivos e gerais. Primeiro porque impulsam uma parcela significativa da sociedade, segundo porque são motivados por uma consciência coletiva, e por último porque não são individuais, mas fazer parte de um apelo social, mesmo que não seja a totalidade (de fato, a totalidade é quase impossível).

      Para um maior aprofundamento ver Durkheim, Émilie. As regras do método sociológico.

      Excluir
  2. As manifestações que ainda ocorrem em todo o Brasil refletem a violência estrutural que se instalou há muitos anos. Por violência estrutural entenda-se, segundo Minayo (1), um marco à violência do comportamento que se aplica tanto às estruturas organizadas e institucionalizadas da família como aos sistemas econômicos, culturais e políticos que conduzem à opressão de grupos, classes, nações e indivíduos, tornando-os mais vulneráveis que outros ao sofrimento e à morte.
    O motivo dessa explosão de manifestantes na chamada (por alguns) “primavera verde-amarela” que ocupou as ruas de diversas capitais brasileiras foi a não aplicação por parte do Estado de políticas públicas que atendam aos anseios no quesito saúde, educação, segurança, esporte e lazer para a juventude, transporte público de qualidade e a custo zero para estudantes e desempregados, entre outros, bem como o clima generalizado de que a corrupção estava mais uma vez tomando conta das contas públicas com os gastos financeiros para a copa do mundo de 2014, em detrimento das necessidades populacionais com serviços básicos de assistência à vida do cidadão (principalmente quando nos deparamos com o caos dos serviços públicos de saúde, o alto preço das cestas básicas, a ausência de moradia...). Tudo isso faz com que acreditemos que a “Violência de Resistência”, ou seja, as diferentes formas de resposta dos grupos à violência estrutural, estava sendo praticada. Também foi visto através dos meios midiáticos a repressão por parte dos detentores do poder político-econômico, que utilizaram do elemento força policial para contestar e tentar impedir atos de vandalismo que se revelaram nas ações que ficam fora das leis socialmente reconhecidas (violência de delinquência), provocando danos ao patrimônio público que, porventura, estivesse no caminho pelo qual seguia o povo.
    Muitos dos manifestantes, entretanto, estavam ali somente por meio da influencia externa – uma vez que nunca fizeram parte dos movimentos sociais naturalmente reconhecidos e costumeiramente atuantes Brasil afora. Estavam apenas indo de encontro às massas. No entanto, é possível afirmar sem sobras de dúvidas que a consciência coletiva se instalou por determinados momentos, caracterizando a generalidade da situação. As pessoas foram coagidas socialmente a se manifestarem, tendo em vista os inúmeros problemas envolvendo a luta de classes e a disputa pelo poder político e econômico brasileiro.
    É possível afirmarmos que estamos vivendo uma nova era brasileira dos fatos sociais, que segundo Émile Durkheim (2) seriam objeto da sociologia, e “toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior: ou então, que é geral no âmbito de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais”.
    Por fim, pode-se dizer que as mudanças pleiteadas pelos cidadãos ainda estão longe de serem concretizadas, uma vez que dependem dos governantes que tentaram a todo custo acalmar a massa enfurecida pondo em pauta para votação emergencial no Congresso algumas das reivindicações ali presentes e prometendo para o futuro (próximo ou distante, não sabemos ao certo) inserir algumas outras. Se ficaremos satisfeitos com os novos rumos adotados no Brasil?? É ver para crer!!!

    1. MINAYO, Maria Cecília de S. Social Violence from a Publica Health Perspective. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 10 (supplement 1): 07-18, 1994.
    2. DURKHEIM, Émile. As regras do Método Sociológico. Tradução de Pietro Nassetti – Ed. Martin Claret, São Paulo, 2007. pág. 40.

    Escrito por Divanice dos Santos Barauna. Formada em Turismo pela UFRN, e Especialista em Adm. Pública pela mesma instituição. Servidora Pública Estadual. Atualmente cursa o 6º período do curso de Direito (UFRN) e pertence à turma de 2012 do curso de Especialização em Ass. Sociojurídica e Segurança Pública promovido pela UNIFACEX.

    ResponderExcluir
  3. Muito boas suas considerações Cara Divanice!

    Um aspecto que gostaria de destacar é que devemos ser co-partícipes desses momentos relevantes para história do país. De fato, o povo, ou pelo menos uma parcela dele (com consciência coletiva) resiste à violência estrutural que é exercida pelo Estado, seja através da máquina estatal e suas formas de manipulação, ou seja pelo próprio aparelho repressor de Estado - ARE (a polícia). A sociedade brasileira está se tornando condutora da sua própria história, ou seja, paulatinamente está deixando de ser dirigente (não dirigenta, como querem alguns) do destino.
    Adsumus!

    ResponderExcluir