quarta-feira, 14 de junho de 2017

Tolerância zero: é possível no Brasil?

Saudações internautas!

Após uma compulsória ausência para compromissos acadêmicos, trago para reflexão e análise uma temática muito em evidência nos dias atuais na sociedade brasileira: a tolerância zero. Mas do que se trata? Em que contexto está relacionada? Pode ser aplicada à realidade brasileira?

A TV Cultura, como não poderia ser diferente (e eu sou suspeito em recomendar!) inaugurou uma versão inédita na telinha aberta no país. Trata-se de Terra Dois, um programa com características de dramaturgia, com viés crítico-reflexivo sobre temáticas contemporâneas, especialmente vivenciadas na sociedade brasileira.

Com um trabalho de pesquisa científica que ampara a produção do debate e da encenação, o programa é apresentado pela atriz Maria Fernanda Cândido e o psicanalista Jorge Forbes. No episódio apresentado abaixo a temática tolerância zero é discutida a partir de uma visão plural, que possibilita não apenas conhecer um pouco acerca do assunto, mas inferir em que condições e se é possível sua implementação no Brasil. 



Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=V2Lfcpa3Ujc#action=share. Acesso em 13 jun 2017.


Abaixo dois link de matérias jornalísticas, locais, as quais podem ser relacionadas e analisadas à luz da "tolerância zero", sobretudo a partir da perspectiva de que há dois pesos e duas medidas na sociedade brasileira! 

Disponível em: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/conselho-do-mp-deve-apurar-se-pagamento-de-licena-as-a-nulo/382194. Acesso em: 12 jun 2017.

Disponível em: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/coape-divulga-lista-dos-presos-que-fugiram-da-penitencia-ria-estadual-de-parnamirim/381230. . Acesso em: 12 jun 2017.

Disponível em: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2017/06/12/internas_polbraeco,602055/na-cadeia-henrique-alves-encomenda-comida-de-restaurante-afirma-mpf.shtml. Acesso em 14 jun 2017.

38 comentários:

  1. A música “Que país é esse?” traz para o público questões sobre a realidade brasileira no período em que foi escrita, porém que se apresenta de maneira atualizadíssima, tendo em vista o cenário posto hodiernamente na pátria amada, Brasil.
    URBANA (1987, Faixa 1.1) afirma que “nas favelas, no senado, sujeira para todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, tratando de uma realidade social onde não se visualiza diferenças entre um contexto de pobreza, representado pelas favelas, e doutro lado, um contexto de fartura, representado pelo Senado, diferenças essas calcadas na postura moral de pessoas inseridas em ambos os contextos, posto que a expressão “sujeira” se refere as ações delituosas ali praticadas, descortinando uma similaridade perversa, vinculando-se às favelas a perpetração do tráfico de drogas, já no Senado Federal, a corrupção.
    De acordo com Urbana (1987, Faixa 1.1), a população brasileira, em linhas gerais, expressa uma demagogia barata ao acreditar no futuro do país, porém sem respeito a ditames legais fundamentais representandos pela constituição federal pátria, questionando-se como pode subsistir um país assim, através da expressão “que país é esse?”.
    Reforçando ainda a perspectiva integral no tocante a geografia pátria, Urbana (1987, Faixa 1.1) visando trazer certa dubiedade entre violência e pseudo paz, mencionada localidades tais como Amazonas, Minas Gerais, inserindo nessa perspectiva o Araguaia, localidade vinculada à embates bélicos no período ditatorial, bem como a baixada fluminense, rincão conhecido pela violência urbana e tráfico de drogas, apresenta paz no Nordeste. Veja-se que essa paz se vincula a que é alcançada pela morte, posto utilizar-se a expressão “descanso”, ou seja, no Nordeste as coisas se encontram em paz, pois se está matando e morrendo, em resumo estão descansando, retratando uma realidade cruel e de desestabilização moral e ética.

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    1. Bastante pertinentes, prezado Mário, as suas considerações!

      Correlacionado a temática "Tolerância zero" de TerraDois da TV Cultura, com a letra "Que país és esse?" tem-se um misto de dois mundos: aqui e lá, o mundo ideal e o real, o mundo dos "meus" e o dos marginalizados...

      Aguardo ainda outros comentários para aprofundar um pouco mais a discussão.
      Forte abraço!

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  2. Edson Apolonio da Costa Neto17 de junho de 2017 18:27

    Intolerância Acima do Zero – A INSegurança no Brasil

    Na música “Que pais é esse” de Legião Urbana o autor faz análise e reflexão sobre a epidemia da insegurança que contaminou o Brasil, perpassando todas as esferas sociais com irrestrito desrespeito à Constituição.
    Em, URBANA (1987, Faixa 1.1): Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação.

    O autor questiona “que pais é esse?” e repete por duas vezes mais, ao passo que correlacionando com o Video “Tolerancia Zero” Terra Dois, podemos verificar abordagem ao Programa de Segurança Pública denominado de Tolerancia Zero, implantado em Nova Iorque, que teve êxito diminuindo bruscamente a violência naquela cidade, onde se explicita a teoria das janelas quebradas, na tentativa de combater qualquer tipo de situações delituosas ou criminosas, pela prevenção e intolerância a todos as situações ocorridas, seja ela uma janela de um veículo quebrada, seja jogar papel pela janela do ônibus, seja subtrair o celular de alguém, seja desviar milhões dos cofres públicos por meio de contratos fraudulentos.
    Infere-se critica pertinente e atualíssima aos políticos que se valem das situações de insegurança nas comunidades prometendo implantar programas inovadores de combate à criminalidade, todavia, com intuito viés político eleitoreiro.
    Na verdade, a população esta cada vez mais bem informada e crítica, cobrando ações práticas e que de fato venham a modificar o ambiente social em que vivem. Ações com ênfase na socialização, infraestrutura urbana, politicas publicas essências e construtivas, não repressivas e reativas, que tendem a aumentar o sentimento de insegurança e colaborar para a manutenção de ambiente violento.
    Quer seja música como ou no vídeo, podemos perceber que, em detrimento do sofrimento e aumento da violência do país, seguimentos sociais irão se beneficiar e obter lucros, quer seja a indústria bélica e o tráfico, quer seja a classe abastada e/ou política.
    Ainda na estrofe, URBANA (1987, Faixa 1.1): No Amazonas, no Araguaia iá, iá / Na baixada fluminense / Mato Grosso, Minas Gerais / E no Nordeste tudo em paz / Na morte eu descanso / ....

    Ver-se critica expressa ao Nordeste e ao nordestino brasileiro, pois, mesmo em meio a tanta violência e desrespeito sociais, “está tudo em paz”, transparecendo que este é um povo sofredor e já se acostumou com tal realidade, apático não diz nada, pois parece estar tudo bem, sua falta de conhecimento o escraviza, ao passo que os patrões, os dominantes/ricos, descansam.

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  3. Prezado Costa Neto!

    Pertinente e aprofundada suas considerações. Apesar de angustiante a apatia do povo brasileiro, o que nos alenta é que gradativamente isso tem mudado.Os últimos movimentos sociais evidenciam essa postural cultural.

    Aguardarei novas contribuições para aprofundar a discussão.

    Um abraço!

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  4. Que país é esse? (Urbana, Legião. In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1 Disco sonoro), música que dá nome ao terceiro disco da banda de Rock brasileira Legião Urbana, é uma canção cuja letra, composta por Renato Manfredini Júnior, líder da banda conhecido como Renato Russo, convida os leitores, ou ouvintes, a refletir sobre a realidade nacional, especialmente com relação à situação político-social da época.
    A letra, relativamente simples, revela uma coragem questionadora típica do seu autor que, no caso, critica diretamente o comportamento da sociedade brasileira como um todo, “da favela ao senado”.
    A ideia central do autor fixa-se no sentido de que os brasileiros, de um modo geral, independentemente de a que classe social pertençam, não respeitam as leis do País, mas, mesmo com essa postura, incongruentemente, acreditam no futuro do País.
    Para o autor, a realidade nacional é de continuidade da exploração dos mais pobres ou indefesos, pelas classes sociais de posição mais elevada, sem que sequer os explorados se deem conta disso ou se posicionem ativamente contra a situação. No entanto, mesmo com essa postura, todos, exploradores e explorados, inexplicavelmente, aguardam e esperam, quase que letargicamente, que a situação mude e o país possa, enfim, “ficar rico”, ser o país do futuro.
    Importante, para bem compreender o texto, que não obstante ter sido publicada em 1987, na verdade, a música foi composta em 1978, na cidade de Brasília, ainda quando o País atravessava a ditadura, o que nos leva a crer que a opção por não divulgar a letra da música ora em discussão, na época em que foi escrita, deve ter sido uma estratégia do compositor, pois, como bem lembrado por Silva Júnior¹ (2015), caso a música tivesse sido gravada na época em que foi escrita, provavelmente teria sido completamente modificada pelos órgãos estatais de censura.
    No entanto, essa década de “atraso” entre a composição da letra e sua divulgação não foi capaz de trazer nenhum prejuízo à ideia central do texto, assim como se somente tivesse sido gravada no Brasil do século XXI, pois, ainda com esteio nas ideias de Silva Júnior (2015, p. 12) “essa canção tornou-se atemporal. Hoje podemos cantar seus versos sem problema de estar fora do contexto.”
    Assim, justamente pela atemporaneidade da letra, torna-se extremamente possível, diria até natural, correlaciona-la com o conteúdo do vídeo "Tolerância Zero", veiculado no programa “TerraDois”, pela TV Cultura, uma vez que vemos, no vídeo, que a compreensão entendida como correta acerca do programa tolerância zero envolve não um aumento da repressão, mas uma mudança de paradigma nas percepções e condutas individuais e do próprio Estado, a ponto de cada um tornar-se o fiscal de si mesmo.
    Portanto, tanto a solução da problemática trazida pela música “Que país é esse?”, onde, apesar do claro problema social evidenciado na letra, alguns entendem que está tudo normal, “em paz”, quanto o sucesso de uma eventual implantação de um programa centrado na política da “tolerância zero”, prescindem de um despertar social, ideia, aliás, há muito já defendida pelo filósofo anglo-irlandês Edmund Burk, para quem, para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.

    (Silva Júnior, Antonio Manuel. VESTIGIOS DA HISTÓRIA DO BRASIL NO ÁLBUM “QUE PAÍS É ESTE 1978/1987” DA LEGIÃO URBANA. 2015. Disponível em < http://docslide.net/documents/vestigios-da-historia-do-brasil-no-album-que-pais-e-este. html>, acesso em 16 de junho de 2017.

    Por: Roderick de Medeiros GUERRA

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    1. Saudações presado Guerra!

      Pertinentes correlações entre uma obra e outra. De fato, prescinde-se de uma mudança comportamental na sociedade brasileira para que qualquer política pública consiga algum resultado significativo!

      Um abraço!

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  5. Tolerância zero, é possível no Brasil ? nos traz uma reflexão sobre o que seria o Tolerância Zero. Uma primeira leitura deste título com base no que se perpetua no senso comum nos levar a entender como sendo um programa para implantação de mais punição, mais policiamento, mais rigidez na fiscalização. Ou seja, aumentar e disponibilizar mais instrumentos de coerção. Contudo, ao se desnudar a abordagem deste conteúdo no programa Terradois, o que se vislumbra é a filosofia do que seja o tolerância zero. O tolerância zero é algo mais próximo de cada um de nós, do nosso relacionamento individual, do nosso dia-dia. Este é a busca do desenvolvimento de uma cultura de respeito e responsabilização, respeito pelo coletivo e individual e responsabilização de cada um pelos destinos do meio social em que se está inserido. É se buscar uma cultura de ojeriza social tanto ao pequeno delito, jogar um lata de refrigerante na rua, como ao grande, fraudar uma licitação. Não bastando apenas ser um delito, mas sim uma ação, uma conduta que venha a trazer prejuízos para a sociedade, os quais na maioria das vezes não são diretamente sentidos. Pensamento este desenvolvido na Teoria das Janelas quebradas, como bem exposto no programa.
    O programa é muito feliz quando mostra este dilema contemporâneo vivido no país, onde se tem um aumento desenfreado da violência e as propostas de resolução proposta pelos governantes através de uma dramaturgia.
    A letra da música Que país é esse de Legião Urbana nos traz uma reflexão semelhante na medida em que mostra estes contrapontos de excesso nos delitos. Onde no início da letra é dito “Nas favelas, no Senado. Sujeira pra todo lado”, mostrando que tanto nos altos cargos da nação brasileira quanto nas comunidades carentes há o cometimento de condutas que são lesivas à sociedade e aos indivíduos, que é representado pelo vocábulo sujeira.
    Já no refrão desta canção é feita a indagação que país é este ? por quatro vezes vindo a ser o momento que o autor da letra da música busca trabalhar a reflexão a respeito destes contrapontos expostos.
    Portanto, mesmo sendo uma canção da década de 80, esta se aplica a atual situação vivida no país onde vários políticos são acusados do cometimento de crimes e deturpação da finalidade de seus mandatos e há um aumento desenfreado no cometimento de crimes contra o patrimônio, contra a vida e a liberdade das pessoas. Assim, o programa tolerância zero e a canção Que país é esse de Legião Urbana nos traz esse tão necessário olhar para as questões do avanço dos problemas sociais, suas consequências e os enfrentamentos que tem sido utilizados. Porque é imperioso se pensar em que país gostaríamos de viver, quais ações ou posturas podemos ter no agora para buscar minimizar estes problemas. Pois não é das grandes ações ou das grandes ideias que se tem as grandes mudanças, mas sim das pequenas e reiteradas ações e ideias. É a prática diária, quase religiosa de construção de uma nação, de uma sociedade, de uma comunidade, de uma família, que preze pela busca das condutas regradas pela ética e moral.
    Por Alam Bruno Braz Santos

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    1. Saudações Caro Alam!

      A ideia central do conhecimento científico é desnudar o conhecimento aparente... Nessa perspectiva você faz uma abordagem perspicaz aprofundando a temática em questão, esmiuçando que ao contrário do que se pensar a "tolerância zero", antes de ser mais políticas coercitivas visa a mudança comportamental... Aprofundaremos a discussão nos comentários posteriores!

      Um abraço!

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  6. O REFLEXO NA NAÇÃO BRASILEIRA EM BRASÍLIA
    Atuação política em consonância com a cultura da sociedade brasileira
    Robson Medeiros Teixeira

    “Nas favelas, no Senado; Sujeira pra todo lado; Ninguém respeita a Constituição; Mas todos acreditam no futuro da nação)” - Urbana, Legião. Que país é esse? In: Que país é este? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco Sonoro (35min) – esta canção surge no final dos anos 80 como o hino de uma “era politizada” da música brasileira, através da qual fomentou-se a indignação de relevantes grupos sociais da nação brasileira pela 1ª arte.
    Segundo Hobsbawm (2002), nação é uma comunidade formada por vontade própria de agregado de indivíduos, unidos em um espaço geográfico (território), por uma língua e que tenham aspirações materiais e espirituais comuns. Como corolário desse conceito, pode-se inferir que a nação brasileira é formada de uma tradição comum de cultura que norteia a vida de seu povo.
    Destarte, analisando atenciosamente a letra da música acima referida, constatamos que é comum ao cidadão brasileiro, de uma maneira geral, classe política, setor público, empresarial etc. a negação do exercício pleno de cidadania consubstanciada em direitos e deveres fundamentais, do qual deriva todas as outras regras de convivência social. Nesse estado de coisas no qual está submersa toda a nação, advém-se todo tipo de violência e caos aos quais os brasileiros estão submetidos, como violência generalizada pregada na segunda estrofe da canção. Ao final da letra, conclui-se que o Brasil é um ambiente perdido, onde se reina a miséria e a revolta, em que a palavra “esperança” surge como uma falácia total.
    Nessa esteira, todos almejam uma solução para os problemas vividos, como um passe de mágica, delegando a uma classe política advinda dessa própria sociedade em que os valores éticos e morais são completamente tênues. Como passe de mágica só existe em contos e nos espetáculos circenses, a política de prevenção criminal como o Tolerância Zero implantado em Nova Iorque no início dos anos 80, como bem retrata o programa Terra Dois (Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=V2Lfcpa3Ujc#action=share. Acesso em 19jun 2017), se deu muito mais num contexto de complexo avanço socioeconômico com aumento de qualidade de vida em que se não negligenciava cuidados básicos com tudo que permeava o convívio harmônico, como higiene, infraestrutura, saúde e inserção social. Enfim, foi criando um ambiente cultural da não contemporização da violência, de respeito às leis, possibilitando ao Estado uma política de prevenção criminal sem estar agindo eminentemente na repressão, como se nota e resigna analisando o atual quadro tupiniquim.
    Nesse ambiente cultural no qual o brasileiro está inserido, é possível delegar à classe política a panaceia para os seus problemas, sobretudo no que tange à violência sem mudar sua postura cidadã e cultural?

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  7. Apesar de ter mais de três décadas de lançamento, a canção “Que país é esse?”, do grupo musical Legião Urbana, se mostra atual e perfeitamente aplicável aos cenários político, econômico e social brasileiros. É uma radiografia cheia de metáforas e descrições verossímeis da realidade do nosso país. Temos no seio de nossa cultura nacional, a corrupção, o ludibriar, quase que como um patrimônio histórico e sociocultural, ao ponto de criticar-se quem não o faz, quem não procura alguma vantagem para si em detrimento de outro. Em Urbana(1987, Faixa 1.1) “Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição mas todos acreditam no futuro da nação” compreendemos com facilidade , quando o autor compara a sujeira propriamente dita, literal, das favelas, com a sujeira, em sentido figurado, da corrupção dos que ocupam os cargos de poder no Governo, no entanto nos comportamos como se estivéssemos alheios a essa situação, pois numa atitude pérfida, almejamos que o país atinja um estado de glória, repetindo diuturnamente velhos maus hábitos que já se tornaram vícios à medida que não respeitamos as leis, não buscamos fazer o que é certo, nas pequenas ações do cotidiano, nos diversos papéis que desempenhamos seja no trabalho, em família, enfim, em sociedade, porém continuamos a idealizar uma nação futura triunfante. Diante de tamanha contradição, Urbana(1987, Faixa 1.1) se questiona, interrogando-se acerca do país em que vivemos.
    O vídeo “Tolerância Zero” tem sua congruência ao tema abordado na referida canção no momento em que estuda uma linha de ação para um dos maiores problemas provenientes do desgoverno generalizado do Brasil: a violência; bem como tem em seu cerne, em seu escopo, o foco nos detalhes, como condicionante principal da aplicação e sucesso dessa ideia. Pequenas ações podem fazer a diferença se canalizadas para o bem estar comum, para uma melhoria estrutural nas condições de vida das pessoas, não somente agindo de forma reativa diante dos delitos, sejam de menor ou maior grau, mas buscando também promover uma mudança nas atitudes das pessoas através da mudança do cenário urbano onde elas estão inseridas. Tolerância Zero é possível no Brasil? Sim, mas com o engajamento de todos, governo e sociedade, bem com uma reestruturação moral de nossas mentalidades.

    Por André Luiz de Menezes NUNES

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  8. "Que País é esse?" Música lançada em 1987, de composição do cantor e compositor Renato Russo, é uma crítica à corrupção desenfreada que já em 1978, ano em que foi escrita,atingia o país em toda sua extensão, e que ainda nos atinge nos dias de hoje.
    Na primeira estrofe URBANA (1987, faixa 1.1) diz: "nas favelas/no senado/ sujeira pra todo lado/ninguém respeita a Constituição/mas todos acreditam no futuro da nação". Isso é uma menção de que não importa a classe social do indivíduo, tanto faz ser rico ou pobre, a corrupção está impregnada na cultura do povo brasileiro, que apesar de não respeitar suas leis, acredita que um dia essa realidade irá mudar.
    Sugere também que não só em diferentes classes sociais, mas também em diferentes Estados da federação, existe a corrupção. Para URBANA (1987, faixa 1.1) não importa o Estado, nem a região, de norte a sul, de leste a oeste, todo povo sofre com a ambição humana, onde o que importa é o lucro individual, e onde muitas pessoas trabalham em prol de uma pequena elite que vive da exploração alheia. Fazendo uma conexão com o vídeo da série "Terra Dois" sobre o programa "Tolerância zero", implandado em New York, Estados Unidos, pode-se aferir que o problema da cultura da criminalidade começa com os pequenos gestos, como por exemplo, furar uma fila, pagar o policial para não receber uma multa, receber troco errado e ficar calado, tudo isso é corrupção e não podemos fechar os olhos para essas pequenas coisas porque os valores da honestidade devem ser inseridos em nosso cotidiano.

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  9. URBANA, Legião. Que país é esse? In Que país é este? Rio de Janeiro EMI-Odeon Brasil. Faixa 1.1. Disco Sonoro (35min).
    TERRA a dois. Direção Nika Lins. Ricardo Elias. TV Cultura. São Paulo. 2017, 16min.

    A letra da música "Que país é esse?" da banda Legião Urbana é bem pertinente aos fatos ocorridos no Brasil atualmente, aliás, não só atualmente, mas também ao Brasil dos últimos tempos. Os autores, na primeira parte da letra, retratam que toda a sociedade brasileira é "suja", pois há sujeira para todo lado, desde as favelas ao senado, quer dizer, todas as classes ou camadas sociais participam desta sujeira, desse desrespeito às leis, à constituição, com um agravante de todos crerem no futuro da nação, tendo essa falácia como representação social.
    Na segunda parte, vê-se os autores retratarem a morte como necessária àqueles que bradassem ou se opusessem ao status quo vigente, quando se descansa na morte. "Mas o sangue anda solto, manchando os papéis, documentos fiéis, ao descanso do patrão." (URBANA, Legião. 1987).
    Na última parte da letra, a crítica ferrenha por sermos terceiro mundo, piada no exterior e só se vendermos o próprio país com suas almas, conseguiremos ser ricos.
    Esta letra também pode ser perfeitamente relacionada como o documentário da TV cultura, o TERRADOIS, cuja abordagem no episódio tolerância zero diz respeito à forma como se trata e se pensa a erradicação dos crimes por parte do governo. Aqui, o termo "tolerância zero" que ganhou um compreensão um tanto quanto distorcida pela população, por se acreditar que diz respeito a ser contra as pessoas, embora não o seja, vem a ser esclarecida, "O Tolerância Zero não é contra as pessoas, é contra os delitos". (CÂNDIDO, 2017).
    O Tolerância zero como é esclarecido, tem o propósito de mudar a ideia de que são os grandes eventos que mudam a sociedade para o fato de serem os pequenos detalhes o que realmente mudam a sociedade, pois a partir do momento que o cidadão se preocupa com a limpeza, a iluminação e a harmonia de sua rua, praça, esse corpo de detalhes irá formar a cultura social em prol do bem estar coletivo, de modo que crimes maiores são totalmente repudiados a exemplo dos menores.Todos os crimes devem ser repudiados, desde a letra de legião Urbana aos fatos apresentados por TERRADOIS, porque segundo (FORBES, 2017) "não há crimes maiores ou crimes compreensíveis, não existe crimes maiores ou menores. Os pequenos detalhes da vida são muito importantes,sendo bons ou ruins".
    Daí, pode-se inferir que tentar burlar uma fila, ultrapassar o sinal vermelho, não ajudar um idoso ou criança na rua, pagar propina, podem ser tão desprezíveis e maléficos quanto roubar a nação em bilhõess de reais.
    Por Albervan CIRNE de Medeiros


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  10. "Ninguém respeita a Constituição / mas todos acreditam no futuro da nação" URBANA (1987, Faixa 1.1). Assim Renato Russo cantava, como num ato de profecia, que parece se repetir na atual realidade, sobre o Brasil da década de 80. Como estabelecer a ética como princípio motivador da nação, quando se aplica o relativismo naquilo que é considerado errado? Por que, como é questionado no documentário "Tolerância Zero" (veiculado no programa “TerraDois”, pela TV Cultura), roubar milhões dos cofres públicos é abominável e a corrupção de um policial rodoviário, por exemplo, seria, de certa forma tolerável, pela sociedade?
    É de interesse de muitos representantes da classe política perpetuar a generalização que se tem na sociedade de que são as ações repressoras, baseadas na força bélica, que conseguirão colocar a nação dentro dos parâmetros da lei. Muitos desses representantes, inclusive, se aproveitam do desconhecimento que boa parte da população tem do texto Constitucional, para defender a ideia de que a formulação de novas leis, mais duras, mais intolerantes e mais normativas, seria a melhor saída para o esgotamento moral do Brasil. Contudo, vale salientar que a Constituição Federal do Brasil é reconhecida mundialmente pelo seu caráter humanístico e larga abrangência social. Aproveitar-se do senso comum, que é uma consequência do descredito da população para com aquilo (ou aqueles) que a representam, é puro oportunismo eleitoreiro, que desnivela a capacidade do Brasil de avançar em políticas públicas de caráter efetivo e permanente.
    Jean-Jacques Rousseau afirmava, entre outras ideias, que o homem é produto do meio. Partindo-se desse principio, estaria a sociedade fada a ser eternamente corrupta?
    A política de Tolerância Zero resgata o conceito de coletividade. As forças políticas são mutáveis, e o seu impacto, ou crédito dentro da sociedade, tem um caráter cíclico. O sentimento de "povo", de "Nação", entretanto, foi, e continua sendo, em todas as sociedades, a força motivadora das grandes revoluções. Dessa maneira a teoria da janela quebrada, explicitada no documentário acima citado, mostra que os pequenos atos têm maior impacto na mudança comportamental das pessoas. Isso porque o sentimento de constrangimento de alguém perante o próprio erro se dá no momento em que é repreendido, não pela força, mas pelos seus pares.
    É possível diminuir a preocupação com penas se ações públicas de responsabilidade coletiva forem melhor trabalhadas. Importante ressaltar, inclusive, a necessidade de desvincular a ideia de alternatividade a essas ações, pois essa correlação implica numa percepção de complemento, quando, na verdade pode ser a linha de frente para a real mudança almejada.
    Sócrates costumava dizer que o homem erra quando não sabe fazer melhor. É, portanto, o conhecimento certo que induz à ação correta. É a convivência com o correto, em todas as suas esferas, que faz a ideia anteriormente mencionada de Jean-Jacques Rousseau ganhar valor prático. Faz-se necessário reproduzir essa ideia, do aprender a conviver corretamente, para o bem do individuo e da coletividade.

    Por Tony Swamarn Vale Castro

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  11. A intolerância tolerante brasileira

    A música “Que país é esse?” (1978), composta quando o vocalista do Legião Urbana, Renato Russo, ainda fazia parte da Banda Aborto Elétrico. O disco só foi lançado em 1987, após o período dos Governos Militares no Brasil. No encarte do álbum, há uma nota:
    ""Que país é este" nunca foi gravada porque sempre havia a esperança de que algo iria realmente mudar no país, tornando-se a música então totalmente obsoleta. Isto não aconteceu e ainda é possível se fazer a mesma pergunta do título, sem erros." (Legião Urbana, 1987)
    Uma quimera: essa nota não pudesse mais ser utilizada, que a temática da música estivesse ultrapassada e não mais fosse possível responder a pergunta feita na música.
    Analisando a música, observa-se um paralelo entre as favelas e o Senado, mesmo sendo tão diferentes: a favela, sinônimo da pobreza e segregação social do país e o Senado, casa rica, tida como mais madura, experiente, que deve, juntamente com a Câmara, ajudar o Presidente a governar o País. Porém, o autor os une quando fala “sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação”.
    As favelas se expandem desenfreadamente, concentrando grande percentual populacional, que representam o futuro da nossa nação. Este mesmo futuro depende das leis e decisões, emanadas do Senado. Mas ambos têm o desejo de que o país prospere.
    O refrão é onde se reflete tanto sobre de que país está sendo falado, quanto que país queremos para nós. Esse é o país que sonhamos para nós? Para nossa família? É nessa violência desenfreada que vamos construir nossas famílias? E criar nossos filhos? Isso enquanto estivermos vivos, pois no Brasil, há mais mortes violentas do que em países em guerra civil declarada, como é o caso da Síria. (10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2016)
    O autor segue com uma crítica ao sangue derramado, possivelmente durante o período da ditadura vivido no país. A última estrofe é dedicada à crítica do status que o país apresenta, quando ele cita a dúvida de que nem de 3º mundo deve ser considerado, pois somos uma piada ao redor do mundo. Mas sempre encontram uma forma de “fazer dinheiro”, mesmo que seja com a venda de pessoas. Claro que não com a venda literal de pessoas, mas os governantes sempre acham uma forma da população pagar a conta da corrupção desenfreada que assola o País.
    O programa Terra Dois trouxe a temática “Tolerância Zero”. Observa-se a hipocrisia da população, que aceita alguns crimes, mas cobra punição de tantos outros. Todos os crimes, independente da intensidade e do que for, devem ser punidos, pois são nos detalhes que a vida é feita. Isso é o que prega a “Broken Window Theory” (Wilson e Kelling, 1982). Claro que se deve resguardar as devidas proporções para cada delito, como prevê o próprio Código Penal Brasileiro, mas não se pode deixar de punir. A punição é necessária para demonstrar que aquilo que foi feito importa, e não deve ser repetido.
    Para atingir esse objetivo é preciso analisar a situação de forma global. Os saberes encontram-se interligados, assim como esse paralelo traçado entre a música de Legião Urbana e o tema do programa Terra Dois. Devemos olhar para o problema de uma forma uníssona, para assim começar a resolvê-lo. A compartimentalização dificulta a capacidade de pensar o contexto geral, tornando a inteligência sem uso, irresponsável e inconsciente (MORIN, 1999).
    Só com o uso de políticas sérias de fomento da qualidade de vida e bem estar geral (segurança, educação, saúde e inclusão social) e levando a sério a punição, poderá ser iniciado o fim da violência desenfreada que está enraizado no Brasil.

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  12. ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
    POLÍCIA MILITAR
    DIRETORIA DE ENSINO
    ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR
    “CEL MILTON FREIRE DE ANDRADE”


    Resenha da Música “Que País é Este e do Vídeo Tolerância Zero”

    Marcio Marlon Soares de Lima

    LEGIÃO URBANA. Que País É Este|Que País É Este, 1978/1987. Rio de Janeiro: EMI-Odeon. Brasil, 1987.
    TERRADOIS. Tolerância Zero parte 2.
    Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=LXmJNip-2UA. Acesso em: 14 de Jul. 2017.

    A música "Que país é esse" da banda Legião Urbana e o Vídeo “Tolerância Zero” da TV Cultura, nos leva a fazer uma reflexão sobre o Brasil. A música com uma letra bastante forte relata vários aspectos da nossa sociedade, enquanto o vídeo nos faz refletir que, todos esses aspectos que são negativos, são fruto de uma mentalidade social. Na música, o autor quis criticar o seu próprio pais, a política nacional, a corrupção, as esperanças e as ilusões em relação ao Brasil. Na primeira parte da música, o autor comparou as favelas ao senado, pois, tanto na favela quanto no senado, têm pessoas desonestas que não respeitam a constituição e demais leis, porém, ainda tem alguma esperança no futuro da nação. Conforme observamos na música da LEGIÃO URBANA,1987.

    Nas favelas, no senado
    Sujeira pra todo lado
    Ninguém respeita a constituição
    Mas todos acreditam no futuro da nação
    Que país é esse?
    Que país é esse?
    Que país é esse?(LEGIÃO URBANA, 1987)

    Entendemos pelo vídeo que o debate não é fácil. Correlacionando com a música, isso ocorre em um país, cuja exploração da população, sempre foi uma característica marcante em detrimento das classes dominantes, as quais, pensam que as desordens são resolvidas pela força. A LEGIÃO URBANA afirma evidenciando essa idéia, [...]mas o sangue anda souto manchando os papéis e documentos fiéis ao descanso do patrão[...](LEGIÃO URBANA, 1987). E esse pensamento também está no imaginário de toda nação. A transformação social segundo o vídeo, ocorrerá pelo entendimento de que, qualquer forma de delito, têm a mesma conotação, seja a apropriação de dinheiro ilícito de uma grande empresa ou a corrupção de um agente de trânsito. Esse pensamento, será determinante para uma sociedade honesta, na qual, se deverá buscar uma mudança também de contexto ambiental.
    Na música o autor refere-se ao termo criado durante a “Guerra Fria”. Terceiro Mundo” (LEGIÃO URBANA, 1987), percebemos aqui que Renato Russo pretende expressar a condição de mundo subdesenvolvido e capaz de vender suas riquezas independente da vontade daqueles que foram os seus primeiros donos.

    Terceiro mundo, se for
    Piada no exterior
    Mas o brasil vai ficar rico
    Vamos faturar um milhão
    Quando vendermos todas as almas
    Dos nossos índios num leilão...(LEGIÃO URBANA, 1987)

    Com todos esses aspectos da cultura brasileira, fica a pergunta que também é uma ironia apelativa “Que país é esse”. Ela busca a consciência de todo brasileiro.

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  13. Tolerância zero: Para todos?


    A música “Que país é esse”, que embora tenha sido lançada em 1987, foi composta em 1978, apresenta-se atualizadíssima, tanto para a época do lançamento, quanto na atual conjuntura social e política conforme próprio comentário da banda no encarte do disco “as letras dessas nove canções refletem uma ingenuidade adolescente mas só por terem sido escritas há quase nove anos atrás. A temática continua atual, às vezes até demais”(URBANA,1987, p.3).
    A letra afirma que os brasileiros de uma forma geral desrespeitam a Constituição, desde os moradores das favelas, os mais carentes, aos membros do Senado, uma das casas do congresso nacional. Concomitantemente ao desrespeito, os mesmos personagens creem que os tempos vindouros serão melhores que aquele vividos.
    Nas estrofes seguintes, o autor faz uma menção a várias regiões do país que encontram-se nessas mesmas condições e no final de uma delas, de forma irônica, afirma que no Nordeste a região mais pobre do Brasil, está tudo em paz.
    O diferencial de músicas atemporais como esta, é a capacidade de se manter atual ao longo de décadas e ser foco de diversas interpretações 30 anos após seu lançamento.
    Correlacionando a canção em tela com o contido no vídeo Tolerância zero, veiculado no programa “TerraDois”, da TV Cultura de São Paulo, poderíamos admitir que caso a atitude de não tolerar nenhum tipo de delito fosse implementada de forma impessoal no Brasil, poderia ser o primeiro passo para extinguir o trecho “sujeira pra todo lado” no país. Conforme declarado no referido vídeo, pequenos exemplos às vezes são mais importantes que grandes exemplos, desta forma, o cidadão morador de uma favela ao agir em determinadas circunstâncias dentro das regras de convivência social e obedecendo aos ditames legais, pode causar mais repercussão no âmbito social da coletividade do que uma ação desencadeada por um membro do Senado Federal. Em outra passagem do vídeo, seus apresentadores comentam que não deve haver diferenciação entre tipos de crime, o que é uma das premissas do programa Tolerância Zero aplicado na cidade de Nova York, que tinha como meta combater todo e qualquer crime, mesmo os pequenos, pra que se evitasse o crescimento do grau do delito.
    Continuando na análise do vídeo, é importante ressaltar que a atitude “Tolerância zero” não é direcionada ao cidadão, os agentes de segurança não serão intolerantes com as pessoas, mas sim com os delitos cometidos. A aceitação do cometimento de pequenos crimes e contravenções acaba por criar um clima de desleixo que contamina negativamente, voltando a letra da música, da favela ao Senado.


    Por Luis Eduardo M Ferreira

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  14. É significativo que uma letra se mantenha atual após décadas e sirva para expressar inquietações comuns a muitos brasileiros, entretanto, “Que país é esse?” de composição de Renato Manfredini Jr., o Renato Russo, foi originalmente concebida como uma crítica ferrenha ao Brasil governado por militares, tendo em vista datar de 1978, portanto, fase final da ditadura militar. Seus primeiros versos são taxativos neste sentido: “Nas favelas, No senado / Sujeira pra todo lado”. Importante perceber que a questão social (favelas) teria uma ligação com o mundo político (senado). Logo, temos a sugestão de um Brasil perverso quanto a sua realidade social, marcada pela pobreza e falta de estrutura dos “afavelados” e ao descompromisso do sistema vigente quanto a promoção da igualdade e conhecidamente restritivo ( 1977 o “Pacote de Abril” protagonizou um revés formal no processo de abertura política). A primeira estrofe se completa com os versos: “ Ninguém respeita a constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação”. Faz referência a Carta de 1969, que formalizou as mudanças realizadas na estrutura do poder executivo desde a Revolução de 1964 e faz apologia ao slogan: “Até 1964 o Brasil era o País do futuro: agora o futuro chegou”.
    “No Amazonas, no Araguaia, na Baixada Fluminense/ Mato grosso, nas Geraes, e no Nordeste tudo em paz”. Essa estrofe deve ser analisada em consonância com as políticas públicas do governo militar, a integração dos Estados citados por meio de obras ditas faraônicas (BR 230-Transamazônica e a BR 163 – Cuiabá / Santarém), destacando o palco da mais contundente campanha de contra guerrilha da ditadura no Araguaia, em associação a Baixada Fluminense, teatro no qual se desenvolvia as ações da Scuderia Le Cocq, mais conhecida como o Esquadrão da Morte. O Estado de Minas Gerais é citado no verso final em alusão ao início da ação militar em 31 de março de 1964, e o Nordeste como berço da Aliança Renovadora Nacional. A causa operária foi citada nos últimos versos, nos quais se pressupõe uma vida de luta em detrimento do descanso somente na morte, com alusões ao sangue derramado que é imagem comumente relacionada a ditadura.
    A terceira e última estrofe aborda o que seria um genocídio indígena, atribuído a construção da Transamazônica e a implantação da Hidrelétrica de Belo Monte na Bacia Hidrográfica do Rio Xingu, cujos estudos iniciais datam de 1975.
    Lançada ao grande público em 1987 pelo Legião Urbana, “Que país é esse?” foi revalorizada de acordo com o momento histórico, desta forma, destaca-se a complexidade no processo de análise da referida canção e suas mensagens subjacentes, tendo em vista ter sido composta durante o governo do General Geisel, o que sugere um estudo sobre o período da ditadura, e gravada durante o mandato de José Sarney, ex presidente do Partido Democrático Social.
    Ìdolo de gerações, Renato Russo morreu precocemente em 1996, com 36 anos de idade, vítima da AIDS.
    Por Fábio Eduardo BORJA de Araújo

    NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção. Engajamento político e indústria cultural na MPB (1959-1969). Versão digital revista pelo autor.

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  15. URBANA, Legião. Que país é esse? Música. 1987 e FORBES, Jorge.TERRADOIS: Tolerância Zero; Série TV Cultura. 5º episódio. 2017.

    Ivanildo Henrique Mendonça

    O tema da corrupção é um dos mais noticiado pela mídia nos últimos anos, cujo enfoque tem sido, principalmente, as autoridades políticas da República, ao mesmo tempo em que se discute o aumento escalonado da violência que tem assolado a população brasileira, principalmente às que ocupam as áreas mais periféricas das grandes cidades.
    Percebe-se que o problema da corrupção não é recente no seio político brasileiro, conforme retratado na música “Que país é esse?” da Banda Legião Urbana. Nesta, o autor assevera que “Nas favelas, no Senado/Sujeira pra todo lado/Ninguém respeita a Constituição” (LEGIÃO URBANA, 1987), denunciando que o descumprimento das leis e da constituição é uma realidade desde a alta cúpula do governo até os mais pobres e favelados. Testifica também que é uma prática de norte a sul do país e que vem desde o descobrimento do Brasil quando da exploração e matança dos índios que aqui viviam.
    A TV Cultura, através da Série TERRADOIS, no episódio 05, aborda de forma crítica a questão da violência que aflige as periferias das cidades brasileiras ao mesmo tempo em que relaciona tal onda de violência à corrupção da classe política, representada na séria pela Vereadora Lívia que tem o papel de ser o elo entre a classe política corrupta e a população da periferia (Terradois, 2017).
    Assim, tanto na música “Que país é esse?” como no seriado da TV Cultura percebe-se duras críticas a um dos motores propulsores da violência nas grandes cidades, a saber, a corrupção. Tais evidências são apresentadas quando da tentativa de uma implantação do “Programa Tolerância Zero”, em que o governo exime-se da essência do programa que seria a implantação de políticas de governo na prestação de serviços públicos, ao mesmo tempo em que projeta reprimir àquela parcela da população com o emprego repressivo da força policial.
    Portanto, com políticas imediatistas e desprovidas dos princípios norteadores da Administração Pública, tais autoridades políticas mediante ações motivadas pela corrupção acabam por fomentar a violência urbana, uma vez que são as pequenas ações (as quais o governo se omite) que vão culminar em graves problemas no futuro.


    TERRADOIS: Tolerância Zero. Direção: Mika Lins e Ricardo Elias. Produção: Jorge Forbes e Marcos Amazonas. Documentário, 39’59’’. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=V2Lfcpa3Ujc. Acesso em junho de 2017.

    Legião Urbana. Que país é esse?. Disponível em: .

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  16. A análise crítica dos aspectos sociais é contrária à visão resignada da massa popular. Para Jonh Kennedy, ex-presidente Norte Americano, o conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento. Em vista dessa condescendência social, observa-se a necessidade de representação efetiva dessa parcela nos poderes constituídos.
    Nesse contexto, Que país é esse? (Urbana, Legião. In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1 Disco sonoro), música atemporal que dá nome ao terceiro disco da banda Legião Urbana, questiona a seriedade dessa representação popular bem como a hipocrisia e letargia da própria sociedade diante das constantes denúncias de corrupção nessas instituições. Nos trechos: “ Nas favelas, no Senado, Sujeira pra todo lado, Ninguém respeita a constituição, Mas todos acreditam no futuro da Nação” e “No Amazonas, no Araguaia iá, iá, Na baixada fluminense, Mato Grosso, Minas gerais e no Nordeste tudo em paz”, estes questionamentos ficam evidentes.
    Apesar de ter sido divulgada apenas em 1987, a música em tela expõe uma realidade bem presente no Brasil atual, ainda existem explorados nas favelas e exploradores no Senado e ainda assim, todos continuam aguardando uma solução fantástica ou a vinda de um salvador, sem para isso, tomar atitudes concretas para a resolução dos problemas sociais.
    Nesse ínterim, o programa Terra Dois (Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=V2Lfcpa3Ujc#action=share. Acesso em 19jun 2017), trata exatamente da atitude contrária à resignada com a qual nos deparamos no Brasil. O vídeo aborda a Política de “Tolerância Zero” adotada em Nova York nos EUA em meados de 1980, onde todo tipo de crime ou infração foi tratado com extremo rigor para que fosse desestimulada a adoção de atitudes não condizentes com os parâmetros estabelecidos nas leis e costumes daquela comunidade.
    Para tanto, leis forma endurecidas, obras de infraestrutura básica foram realizadas, projetos sociais foram implementados nas escolas, entre outras medidas que reforçam a necessidade de se integrar diversas ações em áreas diferentes para que se tenha resultados que venham promover um programa de desenvolvimento local e sustentável.
    O escritor irlandês Bernard Shaw ponderava ser a vida muito curta para que nos preocupemos com assuntos os quais não fossem realmente relevantes, e poucos ensejam maior atenção do que os relativos ao desenvolvimento social da Nação. Por tanto, para se resolver os problemas elencados na música e vídeo em tela, é necessário que o acesso às Universidades seja ainda mais democrático, fazendo com que o nível de instrução venha a contribuir com a escolha de melhores representantes e que as vozes das favelas venham a ecoar no Senado, que este, assim como a Câmara dos Deputados legislem de forma a apresentar leis mais severas e que o povo se faça presente nas ruas, mídias e instituições, reivindicando ativamente seus direitos.

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  17. QUE PAÍS É ESSE QUE PRECISA DE TOLERÂNCIA ZERO?

    Por Sidcley Rodrigues do Amaral

    A composição musical “Que país é esse?” (URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro. 35 minutos) apresenta um cenário caótico, porém tragicamente atual da nação brasileira. O autor da letra utiliza um tom denunciativo para expor de forma crua e desinibida os problemas sociais e políticos do país.
    “Nas favelas, no Senado/ Sujeira de todo lado” (URBANA, 1987, faixa 1.1). De início já há a constatação de que as mazelas que assolam e que tristemente marcam o Brasil atingem todos os níveis da sociedade. O termo “sujeira”, que numa linguagem denotativa significa imundícia, mancha e sujidade, aqui se refere a todas as ações desonestas, antiéticas e delituosas que são cometidas por pessoas das diferentes camadas sociais, sejam elas agentes particulares ou agentes públicos. Essa sujeira abrange desde aquelas pequenas atitudes do cidadão que são “legitimadas” pela tradição chamada “jeitinho brasileiro” como também as condutas categoricamente ilegais tais como as contravenções, os crimes comuns e a prática da corrupção perpetradas por personagens políticos e não-políticos.
    O autor da música “Que país é esse?” aponta de forma objetiva que o desrespeito à Constituição Federal, lei maior do país, é a causa rudimentar de toda nódoa moral e social do Brasil, resultando num injustificável otimismo quimérico onde “todos acreditam no futuro da nação”, não obstante serem vítimas da violência urbana e de uma aguda desigualdade social oriunda de más gestões administrativas, aliadas à opressão e rapinagem por parte de governantes corruptos.
    Nesse mesmo diapasão, o programa TERRA 2, da TV CULTURA, no episódio que tem por tema TOLERÂNCIA ZERO, (Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=V2Lfcpa3Ujc#action=share. Acesso em 21jun 2017), se correlaciona perfeitamente com as colocações do texto da música “Que país é esse?” na medida que o Tolerância Zero tem como catalisador a periclitante situação de violência urbana que aterroriza o cidadão brasileiro.
    Na discussão do tema é aventado que a filosofia do programa Tolerância Zero é comumente mal compreendida pela maioria da população, uma vez que é entendida como uma política de repressão às pessoas através do aumento de ações mais contundentes por parte das instituições de Segurança Pública. Tal percepção é falha, pois o Tolerância Zero na verdade se pauta num modelo que inaugura novas perspectivas onde a intolerância nunca é dirigida a indivíduos e sim às atitudes delituosas e antiéticas das pessoas. Destarte, a visão correta do Tolerância Zero não se trata de aumentar o poder de coerção da Polícia, mas sim de despertar a responsabilidade de cada indivíduo levando-o a enxergar-se como protagonista e corresponsável pela segurança pública, reprovando e não praticando condutas que vão desde coisas pequenas como estacionar o veículo em local proibido até aos crimes mais graves. Outrossim, a implementação do Tolerância Zero implica que o Poder Público deve fazer mais que simplesmente aumentar o efetivo de policiais nas ruas. É necessário que os gestores do Poder Público transformem a realidade das pessoas, proporcionando um ambiente melhor para viverem por meio da promoção de condições sociais de segurança e de bem estar fundamentadas na prevenção e educação dos cidadãos.
    Portanto, somente munidos desse tipo de percepção é que podemos reconhecer que o Brasil “Que país é esse?” de fato necessita das ações benfajezas do Tolerância Zero.









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  18. Muito interessante a temática

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  19. Por: Marcos Ferreira Chaves Júnior
    Tolerância zero para todos

    A música “que país é esse ? – Legião Urbana, sucesso da já citada banda, lançado no terceiro álbum no ano de 1987. E conta na letra algumas das situações presenciadas pelos cidadão naquele tempo. Situações estas que demandam deveras revolta aos desmandos da classe dirigente brasileira a época. Revolta esta que se perpetuou no tempo e chega até os dias atuais, fazendo- nos pensar o que devemos mudar para chegarmos a uma sociedade mais igualitária e transparente?
    A letra da música em questão aborda temas de grande relevância à época. Em suas primeiras frases: “Nas favelas, no Senado. Sujeira pra todo lado”. O autor passa a idéia de que nossos dirigentes eram tão sujos quanto as ruas das favelas. Sujeira que aqui ele faz alusão a corrupção. Corrupção esta que podemos ver até os dias de hoje. Talvez até mais. Pelo advento do desenvolvimento dos meios de comunicação bem como das operações desencadeadas pela autoridades no intuito de combater a mesma corrupção citada na música.
    Diante da atual hecatombe de violência vivida em nossa sociedade podemos fazer uma nítida associação entre aos crimes de corrupção e desmandos de nossos dirigentes, que por várias décadas negligenciaram os devidos cuidados com o país. Tanto nas outras áreas mais ainda mais no campo da segurança pública. De modo que esse problema foi se agravando durante o tempo. E hoje chegamos a total sensação de “insegurança”.
    Desta feita, várias tentativas foram realizadas no sentido de implementar programas visando controlar os índices de criminalidades. Todos falhando pelos mais variados motivos. O programa “Tolerância Zero”, programa implementado em Nova York, e que surtiu bons resultados. Visa tentar coibir os menores delitos, como forma de se evitar o cometimento de delitos mais graves. Vem também associado a política “das janelas quebradas” que vem a ser a revitalização de áreas degradadas da cidade como também sua manutenção. Visando assim, manter o ambiente público em níveis aceitáveis de bem estar.
    Fica evidente portanto, que o sentimento presente na famosa música cantada pelo saudoso Renato Russo, infelizmente ainda é tema atual. E que grande parcela da culpa dessa atual insegurança pode ser atribuída as décadas de descaso com o “Público”. Mostrado nitidamente no documentário “Tolerância Zero” a forma como nossos dirigentes tratam problemas envolvendo segurança pública. Para eles é só uma questão de votos, e que pode ser resolvido com implementação de maior número de policiais e viaturas. O que demonstra o total despreparo dos mesmos para lhe dar com assunto tão delicado e importante.

    Referências
    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro (35 min.).
    Jorge.TERRADOIS: Tolerância Zero; Série TV Cultura. 5º episódio. 2017.

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  20. URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é este? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1 Disco sonoro (35 min)

    Cristiano Heronildes Costa da Silva

    A música “Que país é esse?”, sucesso da banda Legião Urbana e seu líder Renato Russo é, a despeito de toda a legitimidade do protesto nela contido, uma incoerência vindo de quem a compôs e cantou. Renato Russo era consumidor de drogas, dependente, com vários relatos de situações onde o mesmo se apresentou sob efeito de drogas para seu público e passagens por clínicas de reabilitação. Uma matéria da G1 sobre o lançamento do livro "Só por hoje e para sempre – Diário do recomeço”, mostra trechos onde o próprio Renato Russo descreveu seus dias de tratamento numa clínica de reabilitação e confessou que sua reputação era péssima devido ao que ele chamou de “incidentes” com problemas com seguranças em shows, violência física e verbal, instabilidade emocional e escândalos públicos, decorrentes do seu vício no consumo de drogas lícitas e ilícitas (G1, 2015).
    Não passando de mero clamor, que aparenta jogar aos seus pares e ouvintes o questionamento pelos atos criminosos denunciados na música, sendo a corrupção a mais evidente desses crimes, a letra carrega em si a inquietude de um país que se ergue em desrespeito à própria constituição,onde o trecho “nas favelas, no senado” alude que tais práticas independem de classe econômica e social (URBANA, 1987). A apatia denunciada bem como o hábito da prática de pequenos delitos, visto pela sociedade como algo à parte de toda a problemática e não como parte integrante da criminalidade desse país, recai imediatamente sobre a banda quando proferiam, drogados em palco que “Ninguém respeita a Constituição/ Mas todos acreditam no futuro da nação” (URBANA, 1987, Faixa 1.1). Esse músico que conclamavam as pessoas à reflexão, agia sob efeito de drogas ilícitas, adquiridas por meios ilícitos, financiando, na sua proporção de usuário e consumidor, o tráfico de drogas, um dos maiores responsáveis pelo aumento da violência e criminalidade no país.
    Indo além do simples questionamento, a TV Cultura em seu Programa Terra Dois, esboça quadros que mesclam debate e dramatização de temas com viés político de modo crítico, atual e trazendo à discussão situações corriqueiras que nos levam à reflexão e mesmo indicação de alternativas para o combate à violência. No episódio “Tolerância Zero” é apresentada a Teoria das Janelas Quebradas, uma experiência que se mostrou eficaz no combate à desordem e criminalidade, como exemplo de estratégia de segurança pública que deu certo em Nova York na década de 60. Essa teoria embasa a afirmação defendida pelos âncoras do programa de que o aumento da desordem gera o aumento da violência (TOLERÂNCIA ZERO, 2017).
    A fundamentação da Teoria das Janelas Quebradas, desenvolvida por James Q. Wilson e George Kelling, está na explicação de que “se uma janela de um edifício for quebrada e não for reparada a tendência é que vândalos passem a arremessar pedras nas outras janelas e posteriormente passem a ocupar o edifício e destruí-lo. O que quer dizer que a desordem gera desordem, que um comportamento anti-social pode dar origem a vários delitos. Por isso, qualquer ato desordeiro, por mais que pareça insignificante, deve ser reprimido” (MONTINEGRO, 2015). “Tolerância Zero” não deve ser visto como uma permissão para que a polícia seja truculenta e aja indiscriminadamente, mas sim como um meio de mudar o foco do poderio militar direcionando-o para uma mudança de postura onde todos são responsáveis pelo zelo de sua comunidade.

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  21. QUE PAÍS É ESSE - LEGIÃO URBANA

    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é este? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1 Disco sonoro (35 min)

    José Maurício de Pontes Filho 1

    “Que país é esse?” é uma música do líder da banda Legião Urbana, Renato Russo, que fez grande sucesso há trinta anos pela retratação do cenário de corrupção, tráfico de drogas, violência, descaso por parte das autoridades e apatia e alienação por parte da sociedade. Apesar de passado três décadas, esse cenário permanece compondo a realidade do Brasil na contemporaneidade.
    URBANA (1987) denuncia que “Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado /Ninguém respeita a Constituição”, demonstrando em proporcionalidade que “ninguém” se isenta da prática de delitos que acabam por determinar uma característica que se tornou intrínseca e de tão difícil combate na nossa sociedade, que é a corrupção.
    Correlacionando a denúncia estampada na letra da música com o vídeo “Tolerância Zero”, produzido pela TV Cultura Digital, para o programa de dramatização e debates Terra Dois, observa-se o alinhamento das responsabilidades de todos quando se trata de corrupção e prática de delitos diversos, desde as classes sociais menores, passando por trabalhadores, empresários até os três poderes. O programa foca na discussão de que é necessário não classificar pequenos delitos e grandes delitos. A terminologia “delito” carrega em si a necessidade de alertar para prática inidônea, independentemente de sua proporção (TOLERÂNCIA ZERO, 2017).
    O vídeo faz uma abordagem se valendo da Teoria das Janelas Quebradas e do Poder do Contexto através de dramatização onde uma Vereadora se vê obrigada a se posicionar publicamente, perante a imprensa e eleitorado, à respeito de uma chacina ocorrida na comunidade que a elegeu. No episódio apresentado “a temática tolerância zero é discutida a partir de uma visão plural, que possibilita não apenas conhecer um pouco acerca do assunto, mas inferir em que condições e se é possível sua implementação no Brasil” (SILVA, 2017).
    A mais urgente necessidade que o brasileiro têm sentido diante do cenário de crimes de corrupção sendo desvendado em todas as esferas sociais, é a mudança do pensamento e do modo de agir. SILVA (2014), alerta que “Estamos novamente em meio a um turbilhão de escândalos públicos, o que tem sido uma situação constante desde a época em que éramos uma simples colônia. Como diz o adágio popular vivemos na “casa da mãe Joana””. Esse autor afirma que a questão da corrupção no Brasil é muito mais profunda e enumera tipos de corrupção como corrupção política, corrupção de servidores e de cidadãos desonestos, como sendo um ato com causa e efeito em dois lados: um corrompendo e outro sendo corrompido.
    Ambas as mídias são um alerta e um chamado para a necessidade do desenvolvimento de um pensamento e postura mais proativa da sociedade no combate às práticas delituosas. É através de ações que se iniciam dentro de suas próprias casas, na educação aos filhos, nas relações interpessoais com a família, vizinhos, empregados e empregadores, através do respeito aos direitos e deveres constitucionais de cada um, que se cria ambientes infecundos e hostis às práticas criminosas, fazendo cair por terra o pejorativo termo sob o qual o povo brasileiro é reconhecido, o “jeitinho brasileiro”

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  22. ANÁLISE CRÍTICA DOS ASPECTOS ÉTICOS E MORAIS DA SOCIEDADE BRASILEIRA

    QUE PAÍS É ESSE?
    O programa Tolerância Zero foi desenvolvido e aplicado na cidade de Nova Iorque e se tornou tema atual nos debates políticos e sociais do nosso país. O programa presa pelo direito penal máximo, aumentando o poder de repressão do Estado e limitando os direitos fundamentais dos indivíduos.
    Ao analisarmos a música da renomada banda Legião Urbana percebemos a necessidade de observar de forma crítica o cotidiano do nosso país, destacando a realidade política e social em que vivemos. Atualmente somos assolados por uma onda de violência crescente, principalmente nas capitais. Entretanto, ao passo que vemos esse crescimento da violência associado a crimes de grande clamor social percebemos que o caos instalado é fruto de um País sem direção. Os crimes não são existentes apenas nas favelas, periferias e comunidades menos favorecidas na nossa sociedade. URBANA (1987, Faixa 1.1) traz "Nas favelas, no Senado, Sujeira para todo lado". Fácil perceber que a música, apesar de antiga, relata um cenário atual, mostrando que passamos por uma crise de identidade social, relacionada também, a crise política vivida pelo país. Isso nos leva, assim como a música, a fazer a seguinte indagação: "Que país é esse?".
    A falta de princípios contamina todos os setores da nossa sociedade. Não há uma distinção de renda para isso. Na periferia, os Crimes Violentos Letais Intencionais CVLI´s) e na política, os crimes envolvendo o patrimônio da nação e a conduta moral dos nossos representantes. A violência não tem face, não tem cor, não tem idade e nem tão pouco renda. A violência não é privilégio das favelas, mas também, cometida de forma silenciosa pelos poderes constituídos, atingindo a todos os brasileiros de forma agressiva.
    Entretanto, é costumeiro escutar que não fazemos parte desse contexto. Sempre nos colocamos como expectadores. URBANA (1987, Faixa 1.1) afirma: "Ninguém respeita a Constituição, Mas todos acreditam no futuro da nação" . O autor demonstra nesse trecho a falta de consciência situacional do povo brasileiro que não possui o comprometimento com as leis do nosso país, mas mesmo assim acreditam em um futuro melhor (URBANA, 1987).
    Não podemos ser um país de cidadãos hipócritas. Nesse sentido URBANA (1987, Faixa 1.1) traz a sua crítica dizendo "Na morte eu descanso, mas o sangue anda solto, manchando os papéis, documentos fiéis, ao descanso do patrão".
    Sendo assim, o tema Tolerância Zero tratado no vídeo exibido pela TV CULTURA, no programa Terra Dois, traz a tona um ponto de vista crítico, afirmando que a solução não está diretamente ligada ao aumento da repressão, mas sim, a um reajuste ético e moral, que deve envolver tanto indivíduos, como também o próprio Estado, combatendo a hipocrisia que avassala e destrói o nosso país. É necessário sairmos da nossa zona de conforto e fazer o nosso papel na sociedade, fazendo valer, de forma honrosa, os princípios legais da nossa nação.

    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é este? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro (35min).

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  23. Messias Adelino Alves, Cap PM

    O primeiro ponto a ser analisado na letra da música “Que país é esse?” da banda brasileira Legião Urbana e foi lançada em 1987, é se a mesma pode ser considerada atual, e como podemos analisar ela é atualíssima, pois retrata nossa conjectura atual, além de outros pontos como a falta de segurança, de educação, de saúde, como tantos outros, mas nos ateremos neste trabalho na corrupção, que é o ponto latente tanto do texto como do nossa realidade momentânea.
    Apesar da música ter sido escrita há mais de três décadas, já é evidenciado pelo compositor os problemas que enfrentamos nos dias de hoje, e a corrupção é uma mazela que parece arraigada a nossa fatídica classe politica, principalmente. Não podemos esquecer que no trecho onde fala “Mas todos acreditam no futuro da nação” (LEGIÃO URBANA, 1987) poderia ser pontuda como verídico naqueles dias, com o passar dos tempos até esta esperança se desfaz, diante de tanta sensação de impunidade que nos permeia e o de que a justiça é branda demais para com seus infratores. Apesar de vermos constantemente pessoas consideradas “intocáveis” sendo presas por envolvimento nessas praticas abusivas, o que vem a melhorar a sensação de justiça no nosso País, uma vez que, o que era pra ser considerado normal torna-se exceção no país das maravilhas.
    Observamos que politicas que venham a colaborar com o engrandecimento do país precisam ser implantadas ou ate mesmo copiadas em beneficio de nossa Nação. Mudanças de atitudes e de comportamentos são necessárias para a melhoria da qualidade de vida de determinado local, no entanto não possível tolerar pequenos crimes como sendo comuns dependendo do local/região, delitos são delitos não importa a proporção, do pequeno ao maior como demonstra a episódio tolerância zero do programa Terra Dois na TV Cultura.
    Nesse mesmo episódio há um ponto bastante interessante que trata do poder do contexto, onde a responsabilidade é atribuída aos gestores ou a outrem quando se esta em coletividade, o individuo por si só e desresponsabilizado de culpa de atribuições, o que pode ser um grande problema.
    Tratamos de problemas que não são de fáceis resoluções, principalmente enquanto se tem uma cultura de impunidade e de que o problema é dos outros e não meu, temos que assumir papéis de responsabilidades dentro de suas funções e quanto responsáveis por um futuro mais promissor para as futuras gerações, não podemos ser inertes a situações que afligem toda uma sociedade.

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  24. Na musica QUE PAÍS É ESSE do grupo Legião Urbana, o autor passa a ideia que o problema da corrupção no nosso país está entranhado em toda a nossa população, seja nas favelas ou no senado, sejam pessoas ricas ou pobres, que tiveram acesso a educação ou não, todos desrespeitam a constituição, onde podemos entender como uma critica a formação cultural, como se o DNA corrupção fizesse parte do gene da população brasileira, no amazona, no Araguaia............no nordeste tudo em paz , numa total incongruência do correto, mas que todos acreditam no futuro da nação, como se aquele caminho ou modelo de sociedade fosse o caminho correto. A musica foi escrita no final da década de 70, traduzindo uma realidade existente naquele momento e que se perpetua ate os dias atuais, portanto, torna-se inevitável analisarmos os dois momentos da nossa sociedade, como agia a nossa sociedade no final da década de 70, o que as pessoas almejavam e buscavam, e hoje, 40 anos após a musica ser composta, qual o diagnostico que encontramos da nossa sociedade, algo diferente, melhor ou pior ?
    No vídeo Tolerância Zero, enxergamos os dois mundos propostos pelo autor da serie, onde terra 1 é o mundo atual e terra 2 seria o mundo perfeito ao olhos do escritor, onde ele propõem menos punições aos moldes atuais e mais responsabilidade nas pessoas, tudo isso tomado como base projetos e pesquisas realizados em outros países, como a teoria das janelas quebradas e o poder do contexto, surgindo como quebras de paradigmas ou posturas, que seriam mais importantes do que punições a pessoas que cometeram grandes corrupções.
    Portanto, ao fazermos um paralelo entre a música QUE PAÍS E ESSE e o vídeo TOLERANCIA ZERO, encontramos resposta para perpetuação do cenário do final da década de 70 ate os dias atuais, que no meu entendimento, é o mais importante, a ausência do poder publico, como protagonista das ações de mudanças.
    Referências
    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro (35 min.).
    Jorge.TERRADOIS: Tolerância Zero; Série TV Cultura. 5º episódio. 2017.

    João José de Souza Almeida

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  25. Demilson Q. de Medeiros22 de junho de 2017 16:50

    A musica inicia evidenciando a corrupção generalizada na sociedade, quando faz menção a “favela” e ao “senado”, duas realidades diferentes, mas que desrespeitam as normas. Em um segundo momento, a canção sugere uma sociedade brasileira passiva diante da exploração da classe dominante, citando para isso, várias regiões do país e afirmando “...esta tudo em paz, mas o sangue anda solto, manchando os papeis, documentos fieis, ao descanso do patrão”.
    Em outro momento da musica, o autor parece abordar a venda de nossas riquezas para o exterior, mesmo ao custo da população. Demonstra isso ao fazer menção aos indígenas, habitantes originários do Brasil que foram explorados e dizimados em nosso país, enquanto a riqueza era enviada para a Europa.
    O refrão da musica, repetido varias vezes do decorrer da canção, procura fazer o ouvinte questionar o que de fato é o nosso pais.
    Por sua vez, o vídeo Tolerância Zero Terra Dois aborda o dilema de uma vereadora ao dever ou não apoiar a implantação da política de tolerância zero numa comunidade por nome de Jardim Geronico, seu reduto eleitoral, onde ocorreu o assassinato de quatro jovens. A política de tolerância zero surgiu em 1972 nos estados unidos e fundamenta-se em reprimir todos os atos criminosos, independente de sua gravidade. Relaciona-se com a teoria da janela quebrada, a qual aponta que o descaso com determinado ambiente o torna mais propenso a condutas inadequadas. A desordem estaria vinculada ao aumento da violência.

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  26. Por William Danilo Fernandes Pires

    A letra de Renato Russo na canção "Que país é esse?" (URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro. 35 minutos) expõe uma faceta tristemente comum na sociedade brasileira, mesmo se considerarmos que foi escrita há exatos trinta anos. Em tempos de Operação Lava-Jato, ela nos remete a uma profunda reflexão sobre os nossos destinos enquanto país. Quando relacionamos a letra da música com o programa televisivo Terra Dois (Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=V2Lfcpa3Ujc#action=share. Acesso em 21 de junho de 2017),que fala especialmente sobre o conceito de Tolerância Zero originalmente desenvolvido nos Estados Unidos, identificamos uma das raízes da corrupção brasileira: a impunidade.
    Numa análise rápida sobre a nossa sociedade, é fácil identificar o quanto somos eivados de discriminação ao tratarmos os crimes de maior ou potencial ofensivo, tendendo a considerar os crimes menores como menos ilegais. Disso resulta, por exemplo, o tratamento diferenciado que damos às pessoas de acordo com sua posição social.
    As denúncias presentes na letra de Renato Russo demonstram claramente o quanto a conveniência está presente na sociedade ao constatar que "Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado" (URBANA, 1987, Faixa 1.1). A sujeira por trás das metáforas das favelas e a falta de saneamento básico, direito de todos, e no Senado, presente nos conchavos políticos e no uso privado da máquina pública contrastam com os discursos sempre otimistas que vem das bancadas fazendo-nos acreditar no futuro da nação.
    De acordo com o autor, forjar documentos e travesti-los de oficialidade é comum no meio da nossa elite, certa da impunidade, já que uma teia de acordos impede a perfeita apuração dos fatos, o que permite o eterno descanso dos patrões. Não cabe interromper esse repouso em nome da Tolerância Zero dos crimes menores porque isso teria impacto direto nas regalias e privilégios presentes nas instâncias maiores, já que tudo deveria ser perfeitamente apurado.
    A cobiça e busca desenfreada por dinheiro e poder dão total credibilidade à afirmação de que "O Brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão quando vendermos todas as almas dos nossos índio num leilão" (URBANA, 1987, Faixa 1.1) afinal de contas a manutenção desse sistema já mata milhares de brasileiros no caos da saúde pública e da violência urbana. Isso sem falar no tratamento dado aos nossos primeiros habitantes, demonstrando o valor que damos às nossas raízes.
    Ao trazer à tona a pergunta central do Disco, a banda deixa claro o quanto somos responsáveis pela nação e pelo futuro que queremos (URBANA, 1987, Faixa 1.1) e é corroborada pelo programa Terra Dois, que sugere um caminho de sucesso a seguir.

    Referências

    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro (35 min.).

    TERRADOIS: Tolerância Zero; Série TV Cultura. 5º episódio. 2017.

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  27. A música “Que país é esse?” (Urbana, Legião. In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1 Disco sonoro), lançada em 1987 pela banda de rock brasiliense Legião Urbana, estabelece uma intensa relação crítica com o cenário político brasileiro, pois logo em sua primeira estrofe evidenciamos uma afirmação problemática no sentido de que “ninguém respeita a Constituição”, abrangendo, tal afirmação, desde o cidadão mais humilde (nas favelas) até aqueles que deveriam ser parâmetro para sociedade (no Senado).
    Não obstante ter sido lançada há 30 anos, a letra da música soa atenta a problemática contemporânea vivenciada pela sociedade brasileira, na medida em que de forma crítica – e irônica – questiona que país é o nosso, sendo considerada, portanto, devido a todo esse caráter de criticidade acerca do contexto vivido, “uma das primeiras canções importantes (senão a primeira) da chamada ‘linha politizada’ do rock brasileiro” (MARIANO, 2012).
    A letra da música é muito mais do que um simples questionamento, pois retrata um cenário de um lugar ou nação (no caso nosso país) onde a esperança foi perdida, onde a miséria reina e, consequentemente, a revolta impera, sobretudo nos indivíduos detentores de conhecimento crítico, conforme pontua Mariano (2012).
    O conteúdo do vídeo “Tolerância Zero”, que foi trazido no programa “TerraDois” da TV Cultura se correlaciona perfeitamente com a letra da música “Que país é esse?”, pois a acepção do que seria uma conduta tida como “desejada” repousa muito mais no indivíduo em si, do que propriamente ao Estado, na medida em que, com a criação de um ambiente sociocultural de não conivência com o que é antiético, ou imoral, mesmo que nas ações mais corriqueiras do dia a dia, estaríamos instalando uma efetiva política criminal preventiva tornando a repressão, propriamente dita, acessório dessa nova e efetiva visão acerca do trato para com o problema dos desvios éticos e morais, que acarretam prejuízo à sociedade.
    Dessa forma, a música, bem como o vídeo em estudo, impõe uma visão crítica acerca da conduta do indivíduo que remonta, através do seu caráter, o contexto a ser vivenciado pela sociedade que ele compõe, sendo, portanto, a mudança de paradigma uma condição para o nosso desenvolvimento enquanto civilização.
    Mariano, Marcos. ANALISANDO LETRA: QUE PAÍS É ESSE? (ABORTO ELÉTRICO / LEGIÃO URBANA). 2012. Disponível em: , acesso em 21 jun. 2017.

    Cap PM Aneikson LUIZ Costa Gomes

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  28. BRASIL: É POSSÍVEL MUDAR?
    A letra da música da banda brasiliense Legião Urbana: “Que país é esse”, (Urbana, Legião. In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1), sucesso nos anos oitenta, nos convida a uma reflexão sobre a realidade da época, no entanto o cenário retratado é perfeitamente aplicado à realidade atual do Brasil, visto que a “sujeira está por todos os lados”, a violência presente em todos os recantos da nação, entre outras mazelas. A música, construída com uma letra marcante e crítica, consegue mostrar as facetas da sociedade brasileira, pois já na primeira estrofe, o compositor Renato Manfredini Júnior, integrante da banda, mostra um Brasil dividido entre duas realidades bastante distintas, mundos incomunicáveis. De um lado as favelas, locais onde se concentram grandes bolsões de pobreza, marcados pelas condições precárias de saúde, pelos altos índices de violência e escolas de baixa qualidade. Do outro o Senado, alusão aos redutos da elite política, econômica e intelectual brasileira, com suas mansões, condomínios fechados, colégios, segurança e saúde de qualidade, “um mundo perfeito”. Paradoxalmente a isso, Renato Russo revela bem as semelhanças desses dois universos, apresentando, através de sua genialidade, suas similaridades comportamentais, haja vista que é comum tanto em um como no outro trapacear, o uso da esperteza, ou seja, do jeitinho brasileiro para se dar bem, mesmo que em detrimento da Constituição. Tudo isso nos leva a uma indagação sobre o nosso país: “Que país é esse”, que alguns querem sempre se dar bem prejudicando a grande maioria. Uma explicação a essa pergunta, em parte, pode ser atribuída, segundo o cantor, à condição histórica de país explorado economicamente, das desigualdades econômicas regionais, mormente das Regiões Norte e Nordeste, marcadas pelo subdesenvolvimento econômico e social, e também pela condição de país subdesenvolvido, pertence ao terceiro mundo, onde suas riquezas naturais são vendidas para o exterior. Diante de tal cenário, seria possível resolver todos esses problemas e mazelas sociais. O documentário “Tolerância Zero”, da TV Cultura traz algumas respostas à realidade brasileira. Baseado na “teoria das janelas quebradas", usada pelo prefeito de Nova Iorque, tolerância zero mostra que os problemas devem ser resolvidos logo no início, não importando sua dimensão, devendo contar com a participação de todos, assim deve ser compreendida como uma ferramenta de mudança de comportamento, e não da intolerância, da violência sega e gratuita. Portanto, o povo brasileiro tem que mudar sua postura e conduta, resolvendo primeiro os pequenos problemas para depois as questões mais graves.
    Por Francisco Daniel de Freitas – Cap QOPM

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  29. QUE PAÍS É ESSE - LEGIÃO URBANA

    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é este? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1 Disco sonoro (35 min)

    Eann Styvenson Valentim MENDES

    “Que país é esse?”, música de autoria de Renato Russo, líder da banda Legião Urbana, apresenta já na primeira estrofe uma afirmação problemática quando diz que seja nas favelas, seja no Senado “Ninguém respeita a Constituição” (URBANA, 1987, Faixa 1.1). A música segue falando de violência, alterações de documentos, tráfico, propina e suborno, numa crítica evidente aos problemas do Brasil à época, especialmente a corrupção. Trinta anos depois o tema está ainda mais presente na sociedade brasileira com as turbulências no atual cenário político que envolvem, em especial, os confrontos entre os poderes Legislativo e Judiciário, crises institucionais em empresas de renome na economia brasileira, delações premiadas, impeachment, fragilização do governo Temer, a piora do cenário econômico e a insatisfação popular. Tudo isso em meio à processos de caça à corrupção que semanalmente têm apontado escândalos que envolvem tanto a situação quanto a oposição, fazendo crer que a corrupção é a mola propulsora de todos os problemas que envolvem essa nação e um apodrecimento da nossa sociedade que passou a adotar dois pesos e duas medidas na classificação e julgamento de pequenos ou grandes crimes. A música indica que da favela ao senado, ou seja, em todas as classes onde existem relações de poder e influência, há ocorrência de comportamentos desonestos que, em sua natureza são da mesma origem moral, diferenciando-se apenas pela capacidade de alcance dos feitos ilícitos na comunidade em que o agente transgressor está inserido. Assim sendo, quanto mais alto for o escalão e maior o poder do indivíduo, maior o impacto das consequências desses atos corruptos, mas a motivação pessoal que leva à essas práticas é a mesma natureza criminosa, depravada e desonesta para todos, independentemente de sexo, opção sexual, cor, classe social, classe sócio econômica.
    Em consonância com o manifesto expresso na letra dessa música, a TV Cultura apresentou em fevereiro do ano de 2017, um vídeo no ProgramaTerra Dois abordando o tema “Tolerância Zero” a partir da discussão de um programa de segurança pública em Nova York, quando dois pesquisadores, James Q. Wilson e George Kelling,publicaram em 1982 o artigo “Broken Windows: The police and neighborhood safety”. Kotickaudy (2014), relata que os pesquisadores resgataram a Teoria da janela quebrada do psicólogo Philip Zimbardo de 1969. “Ele colocou dois carros sem placas em uma área degradada e uma área urbana privilegiada. O carro abandonado na área degradada foi vandalizado imediatamente, enquanto o da área privilegiada ficou intacto. A virada aconteceu quando Zimbardo quebrou as janelas do carro que estava intacto, gerando em algumas horas uma sequencia de depredações” (KOTICKAUDY, 2014).
    O vídeo também trás à reflexão outra teoria, o Poder do Contexto, onde o cerne ideológico se ampara numa mudança de paradigmas onde pequenos crimes fazem diferença e podem se transformar numa epidemia para melhor ou para pior. E reforça esse argumento com a apresentação da equação onde desordem é igual a aumento da violência (TOLERÂNCIA ZERO, 2017). No Poder do Contexto pequenos atos são mais determinantes na vida das pessoas, visto que são ações do cotidiano e que são incorporadas ao meio de vida, do que os grandes feitos. URBANA (1987) alertou para a atuação do Poder do Contexto quando afirma “sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a constituição” apontando que o descaso às questões que problematizam nosso país é geral.
    A reflexão em ambas as mídias sugere uma transferência da responsabilidade de gerir a coisa pública para a comunidade, bem como vigiar, denunciar e coibir pequenos delitos muitas vezes enraizados em nossa cultura, como meio de propagar uma nova postura política na nossa nação.

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  30. Música e letra composta no ano de 1978, pelo cantor e compositor Renato Manfredini Júnior (Renato Russo). O "Russo" que adotou como sobrenome artístico, objetivando homenagear Jean-Jacques Rousseau e Bertrand Russel, personalidades que admirava, quando ainda era componente da banda Aborto elétrico, “que país é este?” Trás uma letra bastante crítica sobre a situação política do Brasil à época. Uma temática que permanece bastante atual. Seu enfoque na corrupção e na violência mesmo velada, “na morte eu descanso/ mas o sangue anda solto” “URBANA, Legião. Que país é esse? Música 1.1. 1987”, teve seus versos compostos na época do então regime militar, época essa considerada por muitos contemporâneos como época de paz, civismo, moral e ética. Então por que sua letra soa tão atual? Talvez por que apesar do comando do executivo nesse período ter sido gerido pelos militares, todo o resto era composto por uma casta de pessoas que compunham uma oligarquia dominante e que ainda hoje dominam o cenário político do Brasil e que não pensam em nada mais do que a manutenção do poder e a asseguração de interesses próprios, alheios aos interesses da população. Podemos nos perguntar então, que país é este? E respondermos a nós mesmos: é o país em que o bandido tem mãe e o nome dele é Custódia; É o país cuja batida do martelo do juiz se assemelha em muito a batida do martelo do leiloeiro; É o país onde as leis são feitas pelos corruptos e não tem eficácia contra eles; É o país onde os valores familiares foram postos em uma caixa de pandora e cuja autoridade patriarcal e matriarcal se esvai diante da falta de respaldo estatal a esta; É um país onde o policial, o gari, o humilde, devolve um dinheiro que não é dele, enquanto um deputadinho borra-botas sai correndo no meio da rua com um dinheiro que não é dele; É um país onde pessoas morrem todos os dias nos corredores dos hospitais, mas só quem tem direito a indenização são os presos que morrem nos corredores dos presídios; É um país onde a culpa de um roubo ou morte, é da vítima que foi desatenta ou reagiu; É um país onde polícia “mata e é bandida” e o bandido se defende e é vítima; Em fim, como diz Dinho Ouro Preto, vocalista da banda Capital inicial, “é a porra do Brasil”.
    Podemos traçar uma correlação bastante interessante entre a música “que país é este?” “URBANA, Legião. Que país é esse? Música 1.1. 1987” ao vídeo “tolerância Zero” da TV Cultura, mostrada no programa Terra 2. É interessante analisar que assim como mostra a música no verso, “nas favelas, no senado /sujeira pra todo lado”, a importância de implementação de uma mentalidade “tolerância zero” está em se atentar que, tanto os grandes delitos quanto os pequenos, tanto os violentos quanto os não violentos, tem de ser combatidos da mesma forma e mesma intensidade, pois nos detalhes está a obtenção do sucesso no programa.
    Segundo Marcos Mariano em seu blog, Renato Russo afirmou que não pretendia gravar mais a música “Que país é este”, por que tinha esperança de que o Brasil melhorasse e que a canção se desa
    tualizasse, perdendo sua razão de ser. Entretanto, ela nos soa mais atual do que nunca.(Mariano, Marcos - http://rebobinandomemoria.blogspot.com.br/2012/10/analisando-letra-que-pais-e-esse-aborto.html)

    Wagner de Oliveira Soares

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  31. Terra 1, Terra 2...Que país é esse? Quem somos nós nessa Terra, nesse contexto?

    Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo, líder da banda Legião Urbana, um dos ícones do Rock brasileiro, nas estrofes e refrão de sua obra Que país é esse? (Urbana, Legião. In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1) já questionava, naquela época de final dos anos 80, que terra é essa na qual, de seus extremos como de favelas ao Senado, do Amazonas, Araguaia, lugares de Norte ao Sul do pais, ninguém respeita a lei máxima do país, mas todo mundo acredita no futuro da nação. Daí infere-se outro questionamento além da obra: que futuro? Então, a própria obra responde: “o Brasil vai ficar rico!” Mas, só através da venda de todas as alma dos índios em um leilão! Que país é esse? Um de terceiro mundo que só serve de piada no exterior?
    O Brasil já nasceu, enquanto nação, com estrangeiros chegando e explorando as riquezas naturais, ludibriando, escravizando e exterminando povos indígenas que aqui vivam, trazendo para cá toda sorte de degredados, condenados em suas terras pátrias, além de importarem, posteriormente, negros africanos, os quais, sabidamente, foram escravizados e, em seguida, “libertados” à própria sorte! O Brasil nasceu, assim, como colônia de exploração e multifacetados cultural e socialmente e dessa condição parece não ter saído até hoje! Fatores como a desigualdade social, corrupção, desonestidade parecem, também, serem feridas abertas desde a gênese da pátria brasileira e que permanecem fortemente arraigadas no âmago de toda a sociedade, contribuindo, sobremaneira, para a evolução e escalada da violência.
    Assim, qual o paralelo que se pode traçar entre a letra da música em questão e o vídeo postado acima, episódio Tolerância Zero do programa Terra Dois da TV Cultura (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=V2Lfcpa3Ujc#action=share. acesso em 20 de junho de 2017) ? Frases como “No Nordeste, tudo em paz”, “Na morte eu descanso” e “Ao descanso do patrão”, presentes na 2ª estrofe da letra de Renato Russo (Urbana, Legião. In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1) estão bastante pulsantes, pontos importantes tratados no referido vídeo. O povo brasileiro foi forjado ao longo do tempo a aceitar tudo e a achar que tudo é normal e o que não é normal é somente culpa da classe política, enquanto esta sempre estar a se preocupar tão somente com a estruturação de esquemas de manutenção no e do poder. O vídeo, que trata da questão da Tolerância Zero, pautado na teoria da Janela Quebrada dos pesquisadores James Q. Wilson e George Kelling, explicando que o importante é dizer não às pequenas coisas, aos pequenos atos nocivos, aos pequenos delitos e não somente aos supostos grandes crimes, traz, também, a encenação na qual uma vereadora se vê entre as pressões sofridas pelo sistema político corrupto vigente no país, no qual está exposto nitidamente que as articulações políticas são tecidas tão somente com fins de manutenção de poder. A classe política está preocupada, não com as reais necessidades da população, mas com a “opinião pública” e a imprensa entra, nesse contexto, como formadora dessa opinião.
    Como iniciar uma mudança? Como chegar à Terra 2? Como seria a transformação da Terra 1, que é o país tão indagado por Renato Russo, em Terra 2, tratado pelo vídeo da TV Cultura, explanado por Jorge Forbes? Seria, como falou a personagem Dirce aos 28 minutos do vídeo, não mandar somente a polícia para dentro da comunidade, mas também a prefeitura para reformar as praças? A melhor resposta foi a do interlocutor Jorge Forbes: “Temos de ser intolerantes com a janela quebrada”. Assim, a partir do estágio no qual a sociedade não mais aceitar um pequeno delito como sendo normal, a partir do instante no qual a população tiver educação e consciência crítica para perceber que uma pequena rachadura em um diminuto espelho é o mesmo que uma grande vidraça quebrada, a Terra 2 começará a ser vista no horizonte e a letra de Renato Russo não mais fará sentido!

    Por Klauber Oliveira Gurgel (CAO)

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  32. A tolerante sujeira: consequência de um ethos permissivista.

    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é este? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1 Disco sonoro (35 min)
    Jorge.TERRADOIS: Tolerância Zero; Série TV Cultura. 5º episódio. 2017.

    Benedito Guedes Bezerra Neto, Cap QOPM.

    Em, URBANA (1987, Faixa 1.1): Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação.
    Sendo esta estrofe a mais destacada na música de autoria da Legião Urbana, tal trecho retrata um país que convulsiona em meio a tanta sujeira. Sujeira esta que faz alusão à famigerada corrupção. Os dizeres são postos de tal forma que, imediatamente, somos remetidos a um ambiente onde “a indesejada dos mais probos” figura como um ente endêmico.
    A sujeira, parto indesejado da ruptura com um ethos mais elevado, de ordem ética, parece-nos, após sucinta análise desta canção, dar origem a outro ethos: o de uma grande parte de uma população, independente de que classe social parta tão reprovável comportamento. Isto nos faz relembrar o que já dizia a filósofa alemã Hannah Arendt acerca de uma parcela das pessoas que rejeitam o que seja ético/moral, sendo estas o substrato das classes sociais: a “ralé”. Substrato este que se despe das virtudes ligadas a valores aqui mencionados (éticos/morais) que são requisitos primevos em toda e qualquer sociedade que busca a harmonia que a torna viável. Algo antagônico à desordem, ao caos.
    Na penúltima linha da estrofe, onde temos “Ninguém respeita a Constituição”, também percebemos que o que foi acordado entre os “representantes do povo” no ano de 1988, através da nossa Carta Magna, nossa Lei Maior, que zela pela garantia dos nossos direitos e pelo cumprimento dos deveres, não podendo nenhum cidadão brasileiro se tornar uma exceção dentro destas regras, é constantemente aviltado, maculado e rejeitado. E isto dá vazão a ações que desembocam na ideia central da música: a sujeira. O caráter desprezível de atos corruptíveis e de quebra de uma ordem ou acordo macro entre os membros de uma sociedade gera uma agigantada e cíclica onda de ruptura com o que há de digno.
    Por último, na quarta linha da estrofe, que reza “Mas todos acreditam no futuro da nação”, chagamos ao maior paradoxo contido na mensagem da referida música: o desejo de colher os bons frutos sem ao menos procurar plantar a semente de excelência, sem ter a observância devida no processo de fecundação desta (pois nenhuma resultante será exitosa sem passar por um cuidadoso processo). Querem, mediante etapas queimadas, fazer a mais alvissareira das colheitas.
    E é com a derradeira linha da primeira estrofe da música em tela que podemos traçar um paralelo com o vídeo da TV Cultura, apresentado em fevereiro do ano de 2017, denominado Programa TerraDois, abordando o tema “Tolerância Zero”, a partir da discussão de um programa de segurança pública de Nova York, EUA.
    No decorrer deste vídeo, observa-se que é mencionado o exercício das responsabilidades (deveres) e dos louváveis exemplos a serem seguidos. E que, para que de fato se possa mudar um quadro deficitário, prezando pelo sucesso daquilo que seja de cunho societário, é preciso que ninguém se furte dos deveres pertinentes a cada um dos cidadãos, não tolerando o mudus vivendi irresponsável e corruptível, seja isto de amplitude e grandeza micro ou macro. A condição sine qua non é esta: intolerância ao menor dos erros, o combate à sina delinquente e a tudo que promova a desagregação. Que o único detrimento seja direcionado aos “inadaptados”.
    Mesmo que a sujeira teime em fazer parte do ethos de uma considerável parcela da nossa gente, é de bom alvitre que nos voltemos sempre para o que seja ético. Que adotemos o que seja palpável ao implementar ideias. O futuro exitoso não deve estar correlacionado e nem deve ser refém de uma grande parcela, mas sim estar ligado ao que é grandiosamente justo.



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  33. A letra de “Que País é esse?” da renomada banda Legião Urbana deixa muito clara a intenção de seu autor, Renato Russo – como ficou conhecido o Renato Manfredine Júnior – de expor a contraposição de coisas, valores, situações vivenciadas no contexto dos anos oitenta, que certamente refletia o cenário de contradições e paradoxos criados nas diversas estruturas do sistema político, econômico, moral e de violência do Brasil.
    Mas o cerne da canção e a mensagem mais forte que instiga uma autocrítica decepcionante para todos os brasileiros é se perguntar que país é esse no qual ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação? Como isso poderia ocorrer, se a Lei maior do pais é suplantado pelo desrespeito coletivo? Seria através de algum jeito brasileiro de fazer as coisas funcionarem...? Uma falta de “eticazinha” aqui outra ali, pequenos deslizes de ordem moral todos os dias... Todos querendo apenas uma oportunidade para burlar e tirar vantagem de alguma situação, ou pior, de alguém. Mas todos acreditam no futuro da nação.
    Neste contexto de pequenas infrações que são subdimensionadas e trazidas para a esfera do comum reside o problema identificado na teoria das janelas quebradas. Se os pequenos delitos não forem combatidos, em breve outros mais graves surgirão.
    Nesse sentido, o recorte cinematográfico feito na proposta do Documentário TerraDois no episódio “Tolerância Zero” conduz a discussão sobre o tema na esfera da estruturação de políticas públicas no enfrentamento da violência urbana voltada quase que somente para uma abordagem policialesca. Mas o pesquisador e psicanalista Jorge Forbes ressaltou que no TerraDois devia-se achar uma política de enfrentamento da violência que não fosse pelo viés do confronto. Mas quem em sã consciência opta por uma política de confronto? O confronto é imposto inclusive como consequência de décadas de esquecimento de várias “janelas quebradas”. Em outras palavras: o Estado brasileiro não ocupou os espaços sócias de sua competência e com isso subestimou o poder de uma cidade, de um pais inteiro cheio de janelas quebradas. O confronto invitável surge desse cenário de descaso e abandono.
    A situação atual do Brasil manifesta o profundo desgaste ético e moral de nossos políticos – que no episódio em tela chegam a ser equiparados a traficantes de armas – e revela que não temos apenas um policial, médico ou político antiético e de fracos valores morais, temos, em certa medida e resguardadas as proporções, um traço cultural que depõe como o povo brasileiro. Os políticos desonestos, como os policiais truculentos etc, são membros da sociedade no exercício do serviço público que quando são antiéticos apenas fazem muitas vezes o que o “cidadão comum” faria se estivesse oportunidade e poder para fazer. Temos que expurgar os maus profissionais da vida pública expurgando o mau que há nos atos de pequena monta que praticamos frequentemente.
    Por isso a inquietante pergunta de Renato Russo continua renitente: como acreditamos no futuro de uma nação cujo povo se orgulha do jeito malandro de resolver as coisas e de burlar as regras postas para convívio em sociedade? Que país é esse?
    Assim sendo, creio que não existem condições morais mínimas para a implantação de uma política de tolerância zero em larga escala no Brasil porque não há um ambiente ético suficiente para fazer o Brasil funcionar – nem mesmo por um dia sequer - diante da adoção de tal política. Casos pontuais, como por exemplo o da Lei Seca, até funcionaram, mas de forma esporádica e descontinuada, constantemente sabotada por cidadãos brasileiros de bem que denunciavam onde estava ocorrendo a barreira policial.

    URBANA, Legião. Que país é esse? In: Que país é esse? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro (35 min.)
    Jorge.TERRADOIS: Tolerância Zero; Série TV Cultura. 5º episódio. 2017


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  34. CAP. ADALBERTO PESSOA DE ROURE

    A referida música é de autoria do cantor e compositor Renato Russo, apresenta uma abordagem bastante crítica e reflexiva quanto a um momento sócio-histórico a respeito de situações político-administrativas que descreve uma realidade vivenciada por um país administrado por agentes públicos, ressalte-se de que estes são de todas as esferas de poder, inescrupulosos e descuidados com a ética, com a legalidade do direito, assim como, com o bem comum resultado de ações administrativas em que o zelo e a transparência se refletem propositivamente, tendo em vista se viver num Estado democrático de direito.
    Ao questionar que país é esse, o autor/compositor busca representar e/ou descrever uma realidade em que o país (Brasil) passa, destacando-se a falta de compromisso daqueles que o administram, normatizam e resguardam o arcabouço jurídico e a Carta Magna, lei maior que rege o direito constitucional do nosso país, tendo em vista que, pela degradação da moralidade e do respeito às normas constitucionais, afetam-se o bem estar de toda a população.
    Segundo o autor, “nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado [...]”, tal contexto reflete um momento histórico em que a composição se dá representando também o reflexo do momento atual onde se vive num país de escândalos, de corrupção e descaso com a ordem pública, mesmo assim, a sociedade busca o sonho de um país ideal e com perspectivas propositivas de um futuro com melhores condições econômicas, educacionais e, principalmente, de progresso e de sucesso nas realizações individuais e/ou coletivas.
    Ao considerar que essa realidade se espalha por todos os Estados e se efetiva nas diversas situações/registros (morte, descanso, documentos e outros) de desconfiança para com a política, a justiça, enfim, se estabelece um Estado em que o processo democrático é pilhado, degradado e afetado, ética e moralmente.
    Nesse sentido, o autor ressalta a concepção de um país de terceiro mundo, subjetivamente, compreendendo-o como de garantia constitucionais não efetivas, considerando-se um país de pão e circo, ou seja, agentes públicos fazem suas ações em desconforto com o bem comum e ao mesmo tempo oferece eventos diversos em que o indivíduo fecha os olhos para todo um contexto de atraso e descaso com a sociedade.


    URBANA, Legião. que país é esse? In: que país é este? Rio de Janeiro: EMI-Odeon Brasil, 1987. Faixa 1.1. Disco sonoro (35min).

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